sábado, 7 de fevereiro de 2026

Retrospectiva 2025: O primeiro ano inteiro de distancia

 Vamos ser realistas e dizer que estamos melhores que o ano passado, afinal, avançamos só um mês e 7 dias desde a virada do ano. Segue uma foto de setembro de 2025, relembrando a saída do verão.

Começando de janeiro do ano passado, nós estavamos ainda recém começando a dormir novamente depois de uma difícil adaptação da Clarice com o fuso daqui, que eram 4h de diferença pro Brasil e desde o voô enfrentamos muitas dificuldades no sono dela. Os passos foram a gente migrar pra dormir na sala, ela no nosso quarto no berço portátil e Cecília no quarto delas. Depois que tudo se reestabeleceu, Clarice voltou pro quarto delas e nós finalmente tivemos quarto novamente. Esses dias de privação de sono somados a tudo novo na mudança foram difíceis. Como eu disse no outro texto, Deus levou pra si um bebêzinho muito aguardado por Huganita logo no início do ano e passamos o primeiro mês do ano também lidando com essa dor. A medida que os meses foram passando, a luz começou a aparecer e eu entendi o que todos diziam quando falavam "daqui pra frente só melhora" quando estávamos em Dezembro. Realmente melhora muito depois do solstício de inverno e após o natal, vimos a cada dia ganharmos mais minutos de luz. Fevereiro foi um mês particularmente cheio de sol, o que fez nós aproveitarmos muito com nossos amigos Ventura, que foram essenciais pra nossa adaptação aqui. Rafael, Heloísa, Oliver e Joaquim estiveram com a gente até o dia 28 de fevereiro, já está quase fazendo 1 ano e eles até hoje são falta sentida. Tivemos muitos dias indo jantar na casa deles, comendo sanduíche, revezando corrida juntos e levando crianças pro parquinho. Acho que foi importante pra nós o fato de não termos passado o nosso primeiro inverno trancados em casa, ainda mais num apartamento tão pequeno. Tudo isso graças ao ânimo deles de passear, picnic, corrida e parquinho. Tivemos alguns dias de neve nas primeiras semanas do ano também. 

Em março, fomos nos adaptando a rotina sem os amigos, eu segui indo todos os dias pro apen barnehage com as meninas, me forçando a falar inglês e me adaptando a igreja e indo também aos estudos bíblicos na casa da Lucy, onde fui muito abençoada. Comecei a ser prayer partner com a Rachel e nossa amizade começou num café em janeiro de 2025 e se mantém firme até hoje, nos falando quase todos os dias. Aliás, uma pausa para relembrar e agradecer como Deus proveu amizades nesse ano de mudança: irmãos da igreja que nos ajudam Rachel e KP, Jeff e Marielle, Camila e família, até amizades no apen barnehage foram feitas como a Karoline e o Jeijum. Eu realmente espero no Senhor que essas amizades sejam fortalecidas porque é por causa delas que sinto como possível continuar tão distante da família, consigo enxergar como esses amigos podem se tornar família um dia e eu realmente oro e peço ao Senhor para que sejam. Essa família que temos aqui permite que compremos pouquissimas roupas pras meninas, vivamos de forma bem economica pra nossa realidade e sejamos muito muito abençoados nas pequenas coisas. Nossa rotina foi basicamente sair de casa todos os dias para o barnehage e voltar, entre idas e vindas com dificuldades com sonecas da Clarice.

Em Abril, fui ao retiro de mulheres e foi a minha primeira noite dormindo fora de casa, o que foi uma madrugada agitada pro Iury já que Clarice mamava por volta das 5h da manhã. Logo após Iury ter passado alguns dias viajando a trabalho pra Escócia e eu sozinha com as meninas. Fui de Carona com Marielle e também dividimos quarto. Foi um tempo de calmaria, paz e onde pela primeira vez senti meu inglês fluir com naturalidade e confiança, sem tanta exaustão depois. Lá eu dividi algumas das minhas ansiedades sobre o não planejamento dos próximos passos e os meus medos em quais decisões tomar. Eu fui conduzida a decidir que meu próximo passo seria aprender norueguês e que, a partir dessa meta, novos planos poderiam ser criados. Mais ou menos por essa época também soubemos da chegada de mais um bebê pro Huganita e esse foi tema de muitas orações. No mês de abril também Clarice completou seu primeiro ano de vida (e que vida diferenciada essa garotinha está tendo, quantas aventuras em um ano!). A essa altura ela já andava tranquilamente e aprontava (E se aprontava!). 

Em Maio, logo no início, viajamos a Paris (que ano diferenciado, como eu disse!) e encontramos com meus pais e matamos os 6 meses de saudade que nos pegavam. As meninas logo se adaptaram normalmente a presença deles e tivemos dias gostosos perambulando pela torre eiffel a uma temperatura agradável com apenas um casaquinho fino. A essa altura, maio já trazia um calorzinho que eu não tinha expectativa de viver aqui e dias muito iluminados. Os dias com meus pais aqui foram ótimos, mas também com mais demandas para administrar. Saúde deles, adaptação deles ao fuso, roupas, temperatura, cuidados e comidas. Fizemos a comemoração do aniversário da Clarice junto com eles e foi um dia bonito, em que era possível usar apenas roupas leves e crianças brincarem ao ar livre. A essa altura quase não viamos mais o dia escurecer. A casa era pequena e difícil de administrar. Nesse momento do ano eu já estava ficando muito incomodada com a casa em que estávamos, já que não era muito adequada pra receber pessoas e consideravelmente pequena pra nossa família. Sem contar, é claro, com o banheiro na cozinha. Ressurgiu um assunto que rolou no carro na volta do retiro, a possibilidade de um novo apartamento pra morar e no bairro que sonhamos uma vez ao visitarmos em janeiro.

Em junho e julho, muitas coisas, como o apen barnehage, estão fechadas e tivemos que reorganizar os nossos dias, mas o fato de estar "calor" e ser possível pras crianças brincarem no quintal tornou tudo mais fácil, teve piscina, patinete, jardim. Ah, isso tudo só aconteceu porque teve a mudança também em junho. O novo apartamento se mostrou muito melhor que o anterior, sou grata porque Deus nos deu essa oportunidade, insistimos e tivemos coragem de seguir com a tentativa de mudança mesmo quando em nosso coração já estava sem previsão alguma de mudar de apartamento, já que precisavamos juntar dinheiro. Os novos vizinhos e donos da casa, moram em cima de nós e nos respeitam e são muito agradáveis, como amigos. A gente tem uma área externa (algo impensável na casa anterior) e até espaço pra plantas. O nosso quarto ainda é bastante pequeno e nosso espaço para armazenar roupas é restrito demais, porém tem sido possível administrar e precisamos ser sábios com relação a quantidade de coisas que temos. A próxima meta que parece distante é o dia que conseguiremos comprar uma casa, por enquanto sem nenhuma expectativa. Durante o verão, recebemos a Ingrid e o Phillip, nossa primeira visita na casa nova.

Depois, em Agosto, Cecília teve seu primeiro dia de aula no barnehage no Nymansvein, a adaptação foi fácil e tudo correu bem. As professoras eram queridas e Cecília não parece demonstrar incomodo por não ser entendida ou por não falar o idioma. Definitivamente os meses juntas em casa nos adaptando juntas ao novo país foram cruciais e fez ela entender que todos nós estamos aprendendo e que eles também não falam nossa lingua, assim vejo que ela não se sente "menor" por não conseguir se expressar algumas vezes. O aprendizado dela foi rápido e a cada dia ela sabe se comunicar melhor, em 3 meses ela já consegue expressar tudo que precisa na vida cotidiana e entender as instruções, embora ainda precise aumentar o vocabulário e conhecer mais palavras. Em outubro ela mudou para o Valandshaugen já que nós agora haviamos nos mudado, no começo tivemos receio da mudança, mas após algumas semanas de adaptação, certamente foi o melhor a ser feito e facilitou muito nossa vida, principalmente com o inverno.

Em Setembro eu tive minha primeira triste mais forte de tristeza por estar aqui, de reparar o quanto tudo demandava tanto esforço e o quanto as vezes eu só estou cansada de continuar tentando. Deus aos poucos foi dando clareza de que é um passo de cada vez que se caminha e que eu preciso ser paciente pra esperar nEle, já que Ele não nos abandona e nunca nos abandonou. fomos a Londres por uma semana, encontramos a Andressa, a primeira amiga que veio nos visitar, foi muito bom tê-la também aqui por 1 semana inteira. Juntas eu vi pela primeira vez a aurora boreal, um dia antes do meu aniversário, foi uma incidência forte inesperada pra época do ano e realmente me relembra o quanto há de bonito pra viver por aqui, apesar de frio, certamente um país de muitas belezas tão diferentes pra mim.

Outubro e Novembro trouxeram boas doses de adaptação, já que com a nova casa, o novo barnehage, o deslocamento pro apen barnehage parou de ser tão trivial, inicialmente por bicicleta e mais recentemente está acontecendo basicamente de carro. Esses meses também tiveram boas doses de chuva e início do frio. Não me lembro ao certo mas em um desses meses iniciei reuniões aqui em casa para falarmos do evangelho e estudamos um material chamado "alpha course" juntas, tem sido abençoador e requerido de mim resiliência pra entender onde Deus quer que eu esteja e que nem sempre os resultados serão avassaladores e incríveis, porém sempre é valioso servi-lo. Com relação ao serviço, Iury toca no louvor e eu no ministerio infantil lidero minha turminha. Cecília faz o Awana e lá comecei como assistente toda semana e agora como líder a cada duas semanas. A essa altura já estou muito confortável com falar inglês e não fico mais ansiosa pra encontros ou com receio de ler em voz alta, já me é muito natural as vezes errar e seguir com naturalidade. Acho que finalmente alcancei a fluencia simples por volta de junho, cerca de 6 meses após nos mudarmos.

 Logo no início de dezembro fomos a Amsterdam encontrar os meus pais e passamos quase um mês juntos, surpreendentemente a Clarice logo pode chama-los de "vovô", nós acabamos ficando mais em casa dessa vez porque dezembro é mais frio e com mais chuva. Ainda assim, tentamos sair, ir ao centro, ver as decorações de natal e passear pela vizinhança. Dessa vez, a adaptação deles foi bem mais fácil e ouvi menos reclamações. No natal, tivemos Lucas e Roberta e seus pais, um natal com a casa cheia e muita comida, que diferente do ano anterior. Igualmente o aniversário da Cecília recheado de amigos, até da escola, que diferença pro bolinho na sala com duas famílias no ano anterior. Ela aproveitou muito, eu fiz o bolo "que ela queria" e a festinha foi simples mas bem norueguesa, com nosso toque. Meus pais foram embora no dia primeiro de janeiro e confesso que dessa vez foi mais dolorido, chorei ao jogar fora o café, chorei a cada cheiro do meu pai pela casa, chorei ao lavar toalhas. Não sei o que houve, mas sei que isso mostra que foi bom. Acho que também pesa saber que não temos perspectiva de irmos ao brasil como gostariamos, devido as passagens mais caras e a um problema com as taxas daqui que tivemos, além de eles não terem perspectiva de virem tão cedo. A cada vez que Cecília diz ao telefone "quando vocês chegarem em dezembro eu faço isso" e eu sei que não é algo que provavelmente vá acontecer, eu sinto a dor.

Janeiro e inicinho de fevereiro tem sido até aqui incrivelmente ensolarados e como no ano passado, o aumento da luz torna tudo mais fácil. Meu aprendizado com noruegues tem evolúido muito, eu comecei o curso no IMI em setembro direto no A2 mas não devo a isso, talvez pelas conversas no apen barnehage, a ajuda de todos do staff, as aulas de barselnorsk que lá começaram (como um presente de Deus pra essa mãe que decidiu passar mais tempo com a pequenininha E se dedicar pro aprendizado de um novo idioma com afinco) e os sprakkafes que tenho participado. Quanto a isso, ainda me restam inseguranças e frustrações, muito que não planejo e não tenho como planejar, mas hoje eu já consigo ir em lojas e lugares e entender e ser entendida (ainda me frusto, mas muitos dias saio contente). Deus a cada dia me relembra que não é e não será no meu tempo. Quanto a isso, me candidatei a algumas vagas de emprego ainda sem respostas e sigo orando para que Deus possibilite que visitemos o Brasil esse ano, mesmo sem enxergar possibilidades. Mas, tudo até aqui tem sido não enxergando o próximo passo, por isso, seguirei orando. Sobre 2026, Catarina nasceu dia 6 de janeiro, Cecília começou aulas de hockey em janeiro e muito me gera curiosidade sobre como isso se desenrolará ao longo do ano. Até tivemos lagos congelados esse ano e muitos dias de sol pra aproveitar.Vi a aurora vermelha dessa vez, no dia 19 de janeiro junto com a Camila, na véspera do seu aniversário.

Que o Senhor abençoe cada um que viermos a encontrar e conhecer esse ano, que Ele nos dê paz pra descansar no seus planos e principalmente fé para não duvidar ou ter medo.


quinta-feira, 27 de março de 2025

Retrospectiva 2024

 Hoje é dia 27 de março e sinto que já estou melhor do que o ano anterior, não é mesmo. 2024, no entanto, merecia uns 5 textos diferentes e sinto como se com esse eu já estivesse ainda mais atrasada.

O ano começou grávida, trabalhando fora e com uma criança de 2 anos indo a creche quase todos os dias. Só consegui um dia de homeoffice com o novo chefe e isso tornava as coisas mais difíceis pra nossa rotina. Essa será uma retrospectiva bem resumida, então, seguimos. Todos os dias Iury me mandava foto de como Cecília estava arrumadinha pra escola, ele dava café, penteava o cabelo e levava ela. A gestação toda fiz yoga e esse era um momento bom de conexão com meu corpo e o bebê, mas eu estava sempre muito cansada da rotina. Nós decidimos não saber o sexo do bebê, decidimos que os nomes seriam Clarice ou Martin.

No início de Abril, já bem no final da gestação, iniciei primeiro um período de homeoffice para gestantes e depois um atestado de 14 dias. No dia 16 de abril, 2 dias depois de fazermos 5 anos de casados e no dia seguinte após uma aula de yoga caprichada, senti que era O dia. As contrações foram muito ruins e doloridas pródomos, sempre tinha dores durante as madrugadas. Nesse dia tinha sentido dores fortes durante a madrugada e pela manhã, a tarde decidi levar a Suki pro banho com meus pais e interrompi os passos algumas vezes com dores. Chamei a enfermeira no inicio da noite e as contrações tinham parado, só que próximo a hora da Cecília dormir, voltaram com tudo e eu tinha certeza que era a hora. Por volta das 22h30 a bolsa estourou, a loucura começou e as 3h51 chegou nosso bebê 2 e era ela, não podia ser outra pessoa se não ela, nossa Clarice. Cecília acertou desde que a chamava de Talice. (Hoje ela já fala Clarice perfeitamente).

O caos normal do puerpério se iniciou, mas dessa vez bem mais leve. Tentei manter meus yogas, continuei, porém menos constantes devido aos ajustes novos da nova família que se formou. Cecília ficou indo a escola só pela manhã e eu a buscava 12h pra almoçar conosco e tirar sua soneca. Nossos dias eram cansativos, mas felizes.

Quando Clarice tinha por volta de 5 meses, talvez 4, descobrimos que nos mudaríamos para Noruega (Stavanger). Que aventura louca que se iniciou, chororô de despedidas, incertezas, pesquisas, planos, caixas, vendas, malas e muitas malas. Ficamos alguns dias na casa dos nossos amigos Huganita, enquanto passavamos os dias com meus pais. Que dias preciosos. Nos preparamos para a pesca. Eu orei, sabia que Deus estava nos trazendo pra algo muito específico que Ele quer que façamos. Estamos abertos, estamos prontos.

No dia 18 de Novembro de 2024, 2 dias depois de Clarice completar 7 meses, chegamos na nova casa, novo país. Tudo novo. Clarice começou a engatinhar, nós conhecemos a neve e fomos aprendendo a viver com muitas camadas, a escuridão do inverno e a surpresa de o tanto que os dias podem ser bonitos quando tem sol, mesmo no frio. Tivemos cerca de um mês de desafio com o sono da Clarice que desde o avião sofreu muito pra se ajustar, possivelmente pelo fuso. Cecília até agora se adaptou muito bem, ela não reclama, ela é feliz e pronta para viver o dia sempre com um bom humor que nos contagia.

A cada dia elas e nós nos entendemos mais, entendemos que estamos aqui e que lugar é esse. Agora, 4 meses depois, me sinto menos perdida e esquisita. Nos primeiros dois meses, cada ida ao mercado era um esforço muito grande, esforço pra língua, pra me achar, pra decidir. Agora, ainda temos muitas aventuras pela frente, mas o coração segue confiante que não estamos nem nunca estaremos sozinhos nessa.

Pra caminhar por esses três meses de 2025, a primavera se aproxima, Clarice muda a cada dia e Cecília também. As duas descobrindo uma vida tão nova e tão pura. Diariamente vamos ao apen barnehage e ua nova rotina se estabelece. Na primeira semana do ano Huganita perderam seu bebêzinho que certamente seria parte dessa retrospectiva aqui e passamos por cerca de 2 a 3 semanas de luto junto com eles, que momento triste e de muito aprendizado.

Glorifico ao Senhor que tem me sustentado, tem tirado toda as minhas dúvidas e transformado em certezas que não sei de onde vem, só sei que é Dele. Ele transforma o caos dos meus dias em alegria, minha impaciência em sorrisos e meus desafios em vitórias. Obrigada por cada manhã que renovas suas misericódias, Senhor.

Retrospectiva 2023: Meio ano depois

 Tá, hoje é dia 03 de junho do ano seguinte e estou fingindo que nada está acontecendo enquanto escrevo a retrospectiva meio ano depois. Pra variar acabei de apagar boa parte do que eu tinha escrito sem querer.

Juro que só estou escrevendo aqui pra não afogar completamente o hábito de ter esses registros e na esperança de que no próximo ano serei mais pontual, já que os últimos de tão bem vividos foram negligenciados na escrita. Por isso, essa escrita será muito resumida já que certamente lembro pouco dos fatos exatos do ano passado.

2023 começou com uma viagem para Florianópolis e Criciúma pra celebrar o aniversário do meu primeiro sobrinho. A despeito das noites de sono terríveis, foi ótimo. Cecília estava recém habilitada na arte de andar sozinha com os próprios pés e foi divertido observa-la treinando sua caminhada aeroporto a fora. Ela certamente se divertiu naquela viagem. As férias são sempre preciosas, em especial porque eu estava passando os dias trabalhando fora e estar o dia todo por 30 dias com ela foi precioso demais.

Esse foi o primeiro ano que meus irmãos vieram os dois de volta ao Rio e moram aqui com meus sobrinhos, então, fui presenteada com doces momentos com meus sobrinhos Pedro, Malu e Ana Laura. Ainda não consigo aproveita-los muito porque estou sempre me dividindo na função de mãe ao mesmo tempo, de fato ter me tornado tia no mesmo momento que havia me tornado mãe fez com que eu pudesse aproveitar menos a doçura de ter sobrinhos. Embora, desde já, os ame intensamente.

Com 1 ano e 4 meses de Cecília, no mês de Abril, ela iniciou sua jornada na escolinha "O Jardim" e nos despedimos do período de 7 meses em que a vovó esteve sempre aqui em casa cuidando dela e certamente muito de mim. Foi incrível e desafiador na mesma medida, mas nosso laço de três gerações se uniu ainda mais. Ter mãe é a melhor coisa, um presente de Deus. Poder ser mãe e arcar com toda responsabilidade e trabalho com o cuidado da minha filha também é, embora cansativo. Cecília iniciou na escola ao mesmo tempo que papai havia iniciado num novo emprego, homeoffice. Então, ele ganhou mais tempo com ela também. Ia pra escola as 8h e saia as 14h, depois mudamos para 9h as 15h e depois, no fim do ano a medida que o trabalho do papai aumentava, ela começou ficar ate 16h30, quando eu mesma ia buscar direto do trabalho. Eu continuei só tendo 1 dia de homeoffice com algumas exceções mais pontuais e esse foi meu primeiro ano inteiro de trabalho após a maternidade, os finais do dia eram sempre absurdamente cansativos. O que me entristecia ainda mais era saber que o que eu estava entregando pra minha família era minha pior versão, a mais cansada e sem motivação.

Ao longo do ano, ela evoluiu no seu aprendizado das palavras e foi por volta do meio do ano que as palavras começaram a ficar cada vez mais entendíveis. Ela já exclamava "qué mamá" e me obrigava a sentar no sofá, lugar onde eu sempre amamentava. Abaixo vou descrever algumas anotações que fizemos das primeiras palavras e que amamos ouvir.

Vou resumir porque agora já estamos em Março de 2025 e não tem condições de colocar os detalhes que eu gostaria.

Em Agosto de 2023, no dia 8, descobrimos que estavámos esperando mais um bebê, estavamos em Mangaratiba com meus pais e Huganita vieram nos encontrar e pedi um teste, deu positivo e na praia contei ao papai que nossa família iria crescer. 

Dali em diante, muitos desafios até o fim do ano, o início de uma gravidez com muito mais enjoo, manejar trabalhar fora, me exercitar, cuidar da casa e de mais uma criança bem pequena, foi muito desafiador. Mas Cecília falando "imão" pra barriga sempre fez tudo valer a pena.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Uma semana de mudança: Descobertas e Despedidas

 Há exatamente 5 dias descobri que dentro de mim existe um novo serzinho, fui abençoada com a graça de gestar mais uma vez. Essa vez senti tudo (ou quase tudo) diferente.

Na primeira gestação, engravidamos de primeira sem muito pensar. Dessa vez, demoramos cerca de 4 ou 5 meses (embora as tentativas não tenham sido intencionais, estávamos abertos). No mês que tirei um tempo pra orar por isso, no mês que mais desejei que acontecesse: aconteceu. Baby 2 está aqui e eu até agora não consigo acreditar. Filho(a), já te amo com o meu corpo e minha vida. Gratidão ao Senhor e ao Seu Santo nome que me deu muito (muito!) mais do que eu mereço ou um dia merecerei.

Dessa vez, ainda estou recheada de incertezas e preocupações, mas agora enquanto escrevo tomo uma dose de tranquilidade que só a certeza de que Deus é soberano pode dar. Peço a Ele que me ensine a ser mais sábia, mais disciplinada e dedicada a Sua verdade do que nunca antes porque a missão que me foi confiada só é possível com Seu auxílio.

Sobre as despedidas, hoje faz 48h que Cecília (aka Baby 1) não mamou a sua mamada rotineira pré-banho da noite. Talvez a última mamada tenha de fato sido no dia 07 de agosto de 2023. Spoiler do dia 03-05-2024: Cecília ficou doente no final de semana seguinte, então amamentei pela última vez na segunda-feira dia 14-08-2023.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Retrospectiva 2022 - Meu ano de ouro

 Rio de Janeiro, 30 de janeiro de 2023


Ah, 2022. Um ano cansativo, desafiador e extremamente doce. 2022 caminhou juntinho com o primeiro ano da nossa Cecília. Do mês 1 ao mês 12 vimos a evolução, certinho com os meses do ano, o que acho uma feliz coincidência. Quando nos despedimos de 2022, junto dizemos tchau a nossa bebêzinha de meses e partirmos pro desafio de ter uma bebê-criança de 1 ano.

De janeiro a 04 de agosto eu estive coladinha na Cecília, desfrutando da licença maternidade e passando com ela todos os momentos do dia. Foram os meses mais gostosos e desafiadores da minha vida, eu amei cada um dos dias e vivi intensamente mesmo as dores que eles trouxeram. Cuidar de um bebê sozinha é como mergulhar de cabeça todos os dias no mar de preocupação e incertezas, mas pela Graça de Cristo, Ele esteve comigo em cada diazinho não me deixando afundar nos meus próprios pensamentos e preocupações. O processo de retornar ao trabalho também foi um dos momentos mais intensos que vivi, como eu sofri e orei por isso. Meu desejo é sempre estar o mais perto possível da minha bebê, minha herança tão preciosa que Deus confiou. No entanto, meu desejo não foi compatível com a nossa situação familiar, então a melhor saída foi contar com o apoio amoroso de uma vovó dedicada e Cecília esteve durante a semana com os cuidados da sua super vovó quando mamãe estava fora.

O Iury se mostrou um pai presente e dedicado, em tudo me auxiliava no cuidado da nossa pinguinha, sempre tentando aliviar o que estivesse puxado pra mim. Mas logo nos meses iniciais ele voltou a trabalhar presencial, estando em casa apenas dois dias na semana. Com isso, ele chegava mais no momento do final da janta e conduzia todo o banho, eu seguia com o mamá, oração e berço pra nossa pequenininha.

Nós nos dedicamos muito para tentar estabelecer uma boa rotina de sono pra Cecília e com certeza essa foi uma peça chave da leveza do primeiro ano dela. Não a nossa dedicação, não o nosso mérito, mas a Deus que nos proporcionou a graça de vermos os frutos de uma educação de sono feita com muito esforço. Era app com controle de intervalo de mamadas, de sonecas, cálculos de janela de sono e uma verdadeira força-tarefa todas as vezes que precisava sair da rotina. Não nos arrependemos, com cerca de 2 meses e meio Cecília já começou a emendar longas horas de sono contínuo e, embora eu ainda tivesse que acordar de 3h em 3h por um tempo para tirar leite, era muito mais suave a condução do dia tendo tido uma noite minimamente descansada.

Sobre o leite, eu tive que me adaptar a uma rotina de ordenha diariamente no trabalho e também produzi um estoque no último mês em casa. Tudo isso pra manter o aleitamento materno da minha bebê, por alguns meses consegui também doar cerca de 1,5L para o banco de leite, uma benção.

No trabalho, tive uma reviravolta quando inicio de Novembro aconteceu a saída da Roberta como minha chefe e foi substituída pelo Marcos. Ao mesmo tempo que um desafio grande por ter que me adequar a novas expectativas, isso me proporcionou mais organização e dia fixo de homeoffice, facilitando a rotina com minha mãe e a Cecília: benção!

O mês de dezembro fechou doce com a comemoração do primeiro ano de vida da Pinzinha no dia 17 de dezembro (antecipado) em uma festinha tão alegre e deliciosa. Estivemos com nossos irmãos, amigos próximos e alguns familiares, oramos, rimos e brincamos muito. Cecília sempre com seu jeito de ser desenvolta e animada, aproveitou muito sua festinha. Com direito a sonequinha no colo do papai e brinquedos divertidos. 

Cecília deu seus primeiros passinhos por volta dos 11 meses, engatinhou aos 6 meses e desde o dia 1 não parou mais. Como podemos ver, esse ano se resumiu na vida dela, o acontecimento mais incrível que eu tive oportunidade de participar, verdadeiramente esse foi o nosso ano de ouro. Toda cólica dos primeiros 3 meses, noites difíceis eventuais e dores da distância são sempre sobrepujados pela graça e benção que observo hoje (agosto de 2023) que vivi nesses meses. Deus é bondoso comigo e conosco.

Finalizei esse texto muito atrasada porque simplesmente esqueci que ele existia e me lembrei há semanas atrás, mas acredito que embora resumido esse foi um relato fiel do que senti em 2022.

Soli Deo Gloria!



segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Relato de parto 26/12/2021 - Cecília

 Rio, 19 de janeiro de 2022


O relato de parto da Cecília, a história de quando conheci uma parte tão doce de mim


Cecília estava pélvica (sentada) desde as 32 semanas de gestação e com uma posição atípica da cabeça. Juntas começamos uma empreitada para ajudá-la a se posicionar de cabeça para baixo. Exercícios, acupuntura e duas tentativas de versão cefálica externa (uma manobra que o médico faz para modificar a posição do bebê) depois: ela seguia na mesmíssima posição. Na 36ª e 37ª semana fui começar a aceitar que talvez as coisas não seriam como eu havia planejado e estudado, chorei, conversei com a equipe e doula, marido junto nesse processo de aceitação do que viria. Somente 3% dos bebês seguem pélvicos até o dia do nascimento, não é?  Será que seríamos os sorteados? Essa incerteza foi a parte mais difícil de lidar dentro do processo, já não sentia mais medo da dor do parto, o medo era de não viver essa experiência como eu queria. 


Decidimos que atendendo aos requisitos necessários, seguiríamos para o parto vaginal pélvico. No entanto, a única profissional (uma das 5 do Rio) que assiste a esse tipo de parto na minha equipe viajaria vários dias entre nossa 38ª - 41ª semana. Mais uma vez, um convite pra entregar nas mãos de Deus. 

Orei, pedi a Ele que fizesse conforme sua vontade e lembrando que gostaria muito que fosse do meu jeito. Entreguei.

Consegui passar as últimas semanas aproveitando a barriga, fomos à praia mais de uma vez, a restaurantes e consegui me livrar do sentimento estranho que eu tinha toda vez que encostava na barriga e sentia a cabeça dela perto da minha costela. 


Depois de um dia de cinema e coração tranquilo, a bolsa rompeu as 22h do dia 25/12 (nascimento de Jesus 💛) com 40 semanas e 3 dias. Estava no sofá com a minha mãe terminando de assistir um documentário na Netflix e ploc! Não tinha dúvidas de que era a bolsa, já que tinha sido uma quantidade bem grande de líquido. Euforia, alegria, risada e muitos abraços e beijinhos. O medo foi embora, só sabia que iria conhecer minha filha nas próximas horas. Deus sempre presente.

As 23h as contrações não ritmadas começaram e a tarefa de dormir foi se tornando mais improvável, seguimos em contato com a equipe e a doula, ainda sem saber como seria nosso parto.

As 7h a doula chegou em nossa casa, as contrações pareciam começar a ritmar e depois espaçavam novamente. Tomei duas doses de shake de rícino para ajudar as contrações (a primeira não parou no estômago, estava muito enjoada todo o dia). Seguimos assim até por volta das 14h da tarde quando nos arrumamos pra maternidade pois precisávamos iniciar o antibiótico com 18h de bolsa rompida.

Durante todo o processo, eu seguia meio calada e introspectiva, tentando me conectar e pensando que cada contração já doia tanto, será que eu aguentaria ir até o final? Desviava esse pensamento com os olhos fechados aguardando a próxima. A verdade é que a incerteza do que aconteceria me deixava pensativa, por isso o silêncio e os olhos fechados.

No carro, as contrações milagrosamente espaçaram ainda mais e eu consegui descansar entre elas, apaguei. 

Chegamos na maternidade e na avaliação do toque estávamos com 3cm ainda e uma notícia: o pé dela estava vindo primeiro, significando que o bumbum não estava encaixado na pelve, o que é necessário para um parto vaginal pélvico seguro. Incerteza.

Esperamos chegar a médica que é apta pra esse tipo de parto (Patrícia Frankel) e aproveitamos pra nos dar mais 1h ou 2h pra ver se ela encaixaria, as contrações seguiam e eu cada minuto mais cansada e tentando lembrar que ela estava chegando.

Quando a Patrícia chegou (ela voltou de viagem a tempo!), nova avaliação e estávamos com cerca de 5cm de dilatação, mas dessa vez o pé dela estava de fato saindo pelo colo. Não teria como esperar mais. Certeza, teríamos que ir para uma cesária de emergência e bem indicada. Ouvi a notícia quase que de olhos fechados, eu não tava muito querendo ficar com eles abertos olhando o ambiente. Sentia muita necessidade de focar os pensamentos e viver cada momentinho. Nesse momento já estávamos no quarto e eu recebendo o antibiótico intravenoso.

Me preocupei se a fotógrafa chegaria, mas a Carol nossa doula já estava cuidando de tudo.

Parece que em minutos a equipe toda de aprontou e tudo se deu muito rápido, a anestesista logo veio conversar comigo pra explicar o procedimento, eu definitivamente não sabia o que esperar. 

O caminho até o centro cirúrgico foi frio e estranho. Sentia contrações e frio, estava coberta por um edredom verde. As paredes eram frias, Iury estava comigo enquanto todos da equipe se trocavam. Eu fechava os olhos e pensava que o ponto positivo é que eu pararia de sentir as dores das contrações em breve. É estranho estar passiva sendo conduzida pro encontro com a minha filha, mas confiei mesmo com medo: ela estava vindo, tinha que ser desse jeito.

Iury trocou de roupa logo e a equipe toda estava na sala, ele ficou do meu lado todo tempo e ganhei alguns beijinhos e carinhos enquanto fechava e abria os olhos nesse intervalo. A fotógrafa chegou bem quando iniciavam os procedimentos em mim.

Pra quem não sabe como é uma cesária humanizada, embora estivessem com um pouco de pressa, se preocuparam em me explicar o que aconteceria em cada etapa, minha playlist tocava e meu marido fez uma oração no meu ouvido. A enfermeira Mariana segurava uma mão minha e a doula a outra, meu marido ficava atrás próximo a minha cabeça se mostrando presente por ali. Eu não falei muito, mas fiquei de olhos abertos. Era tudo muito rápido.

Falei que a sensação da anestesia era esquisita, um formigamento, um frio, uma sensação ruim. Não gostei não, me sentir anestesiada me deixava me sentindo esquisita, aquela passividade angustiante. 

Em minutos me avisaram que ela estava prestes a nascer, era muito rápido. Vi a equipe com as mãos no campo para abaixá-lo e eu ver ela saindo, mas algo aconteceu e esse processo demorou mais que o esperado. Ouço alguma conversa sobre algo estar difícil, mais alguns segundos ou minutos (na minha mente foram horas), ouvi dizerem que não daria pra esperar pra cortar o cordão, entendi que ela tinha saído e tinha ido direto pra pediatra fazer algo. Não ouvi choro, coração gelado e ouço a voz da enfermeira no meu ouvido dizendo “tá tudo bem, tá bom? Ela logo vem pra cá, tá tudo bem”. Ouço tudo isso com o fundo musical “hallelujah! All I have is Christ (aleluia, tudo que eu tenho é Cristo)” tocando repetidamente ao fundo (acho que Iury ficou repetindo e só lembro dessa música da nossa playlist repetindo e repetindo).

Uma eternidade depois (talvez alguns segundos), ouço o choro, as lágrimas ensaiam sair enquanto o gelo do meu coração é substituído por uma paz. Ela logo veio pros meus braços e a primeira coisa que disse “você é tão perfeita, minha filha, te amo”, ficamos 1h juntas, ela aprendendo a mamar, eu tentando respirar e toda sensação estranha da anestesia eu esquecia. Meus braços tremiam e eu ficava repetindo pra Iury me ajudar a não deixá-la cair. 

A equipe toda veio aos poucos conversar, se despedir e falar palavras de afeto. Elas foram todas incríveis no cuidado em fazer desse momento especial e humano.


O parto não se desenrolou com o desfecho esperado quando a gente lê um relato de parto humanizado, aliás não foi o desfecho que eu desejava ou planejava, mas estou convicta que foi o que Deus quis e isso me traz paz.


Dia 26/12 as 18h23 eu renasci mãe, nossa família cresceu e Cecília chegou. 


Obstetras: Aline Portelinha, Patrícia Frankel

Enfermeira: Mariana Zukoff

Anestesista: Bárbara e Pediatra: Ana Lúcia Vivas

Fotografa: Anna Lira 

Doula: Carol Koplin (esteve comigo por pelo menos 12h até chegarmos novamente no quarto, ela foi essencial pra trazer segurança e calma pro processo)

Retrospectiva 2021

 Eu escrevi o texto abaixo em 02 de janeiro de 2022 e a verdade é que não teve retrospectiva de 2021 porque O grande acontecimento de 2021 engoliu toda minha memória e capacidade de descrever o ano. 2021 me balançou todinha e eu descobri muitas coisas sobre mim, o Senhor gerou uma vida no meu ventre e eu a cada dia fui me tornando mãe.

Em abril de 2021 eu descobri que seria mãe, em 25/07 eu descobri que seria mãe da Cecília. Não acho justo tentar registrar aqui 1 ano depois a retrospectiva, mas vou salvar aqui os textos que escrevi em 2021 para salva-los.

Rio, 02 de janeiro de 2022

Parece, pra mim, que 2021 começou no dia 25/12 quando a bolsa rompeu e então, vivi intensamente os últimos 5 dias do ano como se fossem uma vida inteira. 

No apagar das luzes de um ano bem complicado pra todo o mundo, ela nasceu e eu renasci. Que ano! Que intenso!

Hoje fazem exatos 7 dias que conheci aquelas coisas que a gente vive ouvindo que só entende quando é com a gente, aquelas que sempre achei que poderia imaginar, mas que de fato minha imaginação nem chegou perto.

Meu desejo é que o Senhor que conduziu todo o processo até aqui, segurou nossos corações e proveu mais do que merecemos continue nos dando capacidade de aproveitar cada um dos próximos dias com calma. Mal posso esperar pelas próximas fases, mas desejo que cada uma delas passe bem devagar e eu consiga viver o presente com muita calma porque o presente nunca foi tão lindo e tão precioso. 

Ao meu amor Iury agradeço por viver toda essa intensidade juntinho de mim. Que vida temos pela frente! 

E a música que fez trilha desse momento tão lindo no início da noite do dia 26/12/21 e que seja a trilha do nosso 2022:

“Father, use my ransomed life in any way You choose and let my song forever be my only boast is You”

Textos de 2021:

Rio, 06/06/21

Esse final de semana tive um sentimento estranho sobre você. Meu primeiro filho, minha primeira gestação, nossos últimos dias antes de todos saberem que você tá aqui: o que mais tem pra sentir que não seja estranho?

Tudo é estranho pra mim. Tudo é completamente novo e no meio disso me senti nocauteada por uma conexão intensa de nós dois.

Pela primeira vez, senti um amor superior, algo diferente do que minha imaginação poderia me trazer. A certeza de que eu morreria por você e de que a sua segurança e sua vida é mais importante do que a minha. A vontade de não viver num mundo onde algo ruim te aconteça e de, se tivesse escolha, não viver num mundo onde você não exista.

Quando o Senhor nos diz que os filhos são a nossa herança, ah, faz tão mais sentido pra mim agora. Uma herança tão preciosa e tão cara que eu preciso sair da minha zona egoísta e me entregar nessa tarefa.

Obrigada, eu digo ao meu Senhor, por essa herança e tão grande presente que eu certamente não mereço.

Filho, é tão mais confortável te guardar pra

mim, mas como não é possível, em breve mais e mais pessoas saberão sobre você, afinal, você vem pro mundo com um propósito e ele não é sobre mim. 

Que não seja sobre mim ou sobre nós, mas sempre sobre Ele. 


Rio, 17/08/21

21 semanas e 6 dias

Ontem vi seu rosto dentro de mim e confirmei seu nome: Cecília.

Filha, de alguma forma no mês de julho antes de saber que era você que estava vindo, eu sentia que seria. Eu sabia. 

Ao longo das últimas semanas, eu te contei pras pessoas e te descobri um pouquinho, mas o que acontece é que ninguém me contou sobre você. Ninguém me contou quem eu sou agora que tenho você. E parece que vou ter que descobrir sozinha.

Eu já te amo, embora saiba que tenho tão mais amor pra construir e te dar ainda.

Tenho sentido aquela vontade de te esconder de novo, de te deixar só entre nós e construir uma fortaleza pra você viver.

É tanta coisa que parece estar acontecendo aqui fora: uma pandemia, dois primos, pessoas e familiares que eu nao posso controlar. 

Não posso controlar o mundo que vai te receber e como ele vai fazer isso: Isso dói tanto em mim.

Não posso nem mesmo controlar bem a mãe que eu serei pra você: Isso dói tanto em mim.

Você desde o comecinho me ensina tanto sobre o que Deus quer me ensinar há tanto tempo. Não controlo, não tô pronta e não consigo sozinha.

Te amo. 

Com tudo tudo que eu tenho: Te amo. 


P.s: Você é a coisinha mais linda que já "fiz" na vida. 



Rio, 21/08/21


Nossa primeira praia de neném chutando na barriga, conversa boa e companhia maravilhosa. Ass. Papai 

Rio, 04/11/21

Mês que vem. Mês que vem você tá aqui.

Filha, tenho tanta coisa pra te falar e a mamãe  já se derrama de chorar, não consigo nem imaginar interagir com você aqui fora sem me derramar todinha de amor. 

Semana passada com 31s e 5d fizemos uma ultra e vimos que você ainda não estava na posição que esperávamos, foi um “baque” pra mamãe controladora aqui que queria que tudo estivesse pronto e perfeito pra você chegar.

Estou diariamente me forçando a lembrar de exercitar as atividades específicas, lembrar de confiar em Deus. 

Ah, como Ele te ama, minha filha. Ele conhece tudo que você faz e sente aqui dentro da barriga e tenho certeza que está planejado desde já o momento que vamos nos conhecer. As vezes esqueço disso, mas Ele me lembra… Lembra que o controle é dEle e não meu. 

Confio nEle e sigo fazendo o que posso pra você estar bem, ciente que só Ele guarda nosso futuro e presente. Pra sempre. 

(aliás, seu quartinho começou a ficar com cara especial. Seu pai e os tios Anne e Franklin pintaram, sua madrinha fez a arte e o papai começou a montar o berço pra você - mas ainda não acabou)

Ass. mamãe 


Rio, 04/11/21

Papai quer muito saber de que você gosta e de que não gosta, do que te faz rir e o que faz c (mamãe entrou na consulta e papai não terminou de escrecer)


Rio, 24/11/21

Oi, filha.

Mamãe escreve agora enquanto se prepara para irmos tentar te ajudar a fazer sua cambalhota. Vamos fazer um procedimento chamado VCE. Deus tem trabalhado profundamente no meu coração essas últimas semanas, me lembrando que não estamos no controle nem dessa e nem de nenhuma situação da nossa vida.

Sou profundamente grata a Ele porque você está crescendo saudável dentro de mim, independente de mim. Ele te ama, quer o nosso bem e escreveu a nossa história desde antes do mundo ser criado. Sua história também está nas mãos dEle e por isso, me tranquilizo por seja qual for o resultado que tivermos hoje.

Desde o começo esteve conosco e não nos deixa sozinhas hoje, Ele nos envolve e nos leva com amor e confio profundamente que o que Ele quer é sempre o melhor cenário pra nós.

Confie sempre que Ele é o autor da nossa vida e tem cuidado de cada detalhe. Ele nunca te deixa, nunca nos abandona e nos carrega em seus braços 

Te amo sempre,

Mamãe 

““Ah! Soberano Senhor, tu fizeste os céus e a terra pelo teu grande poder e por teu braço estendido. Nada é difícil demais para ti.”

‭‭Jeremias‬ ‭32:17‬ ‭

Esperando pra fazer a manobra, não deixaram subir com acompanhante. Então, ficamos nós e Jesus aguardando pro procedimento. É bom ter alguém que nunca me deixa sozinha. Nunca. E esse é o melhor amigo que nós temos, afinal, quem pode ser melhor amigo que o Senhor? 

Rio, 29-12-21

Os erros começam a vir. A ficha começa a cair e você só tem 3 dias de vida. Como Cristo que ressuscita ao terceiro dia, eu mãe recém nascida, já ressuscito naqueles minutos (ou segundos) que te faltaram ar. 

Agora choro enquanto amamento pensando qual milagre será quando eu conseguirei deixar minha mente desligar e dormir. Acho que nenhum dia num futuro próximo poderei fazer isso de fato, se não fosse a certeza que tudo que acontece é feito por Deus, Ele é quem coordena minha vida, o ar que passa nos meus e nos seus pulmões e foi Ele que nos formou. 

Eu, que também já fui miudinha como você, fui formada por Ele, sou amada por Ele. Ele me fez sua filha e me ama. Ah, Ele também te ama, mas isso quase não precisa-se dizer: quem não ama Cecília?

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

2020: O texto 51 - Retrospectiva de fim de ano

 












Pela primeira vez chego pra uma retrospectiva de fim de ano (12 de janeiro, na verdade) já tendo escrito algo sobre o ano anteriormente. Em Agosto eu comecei a retrospectiva de 2020 entendendo que um só texto não era suficiente pra esse ano. Escrevi em Agosto acreditando que de alguma forma o isolamento social e a COVID-19 estariam chegando ao fim, o que ainda não aconteceu, mas já já falarei disso.

A última postagem descreveu o ano até minhas férias em Agosto, então vou partir daí. Quando entramos de férias, nos dedicamos um pouco a montas os móveis novos da casa (atualizamos o "escritório" e a cozinha), para isso contamos com ajuda dos nossos amigos Maydete e aproveitamos pra discutir e testar os produtos que pensamos para abrir o negócio de sabonetes artesanais (spoiler: desde então estamos mais parados do que nunca nisso). Antes disso, tiramos alguns dias para ir para um Airbnb em Visconde de Mauá e foi TÃO bom. Suki também diria o mesmo, se divertiu e correu como nunca antes. 

Se eu me conhecesse antes da minha lua de mel me diria que não era pra me importar tanto com isso, já que tudo só tende a ficar melhor conforme os anos de casamento vão passando e as viagens ficam ainda mais interessantes e deliciosas de aproveitar juntos.

Desde que voltei de férias, eu fui me encontrando cada vez mais desmotivada para cuidar da alimentação e fazer exercícios e nisso o meu peso, minha perfomance e minha composição corporal foram acompanhando. Até agora não consegui superar 100% isso e ainda estou bem frustrada com o tanto que retrocedi de Agosto até agora. Ainda assim, em 11/Outubro consegui completar os famosos 21km de corrida esse ano, foram 13km com Iury ao meu lado e 8km com o Fabricio. Foi incrível, mas a sensação de frustração no final foi mantida porque sabia que não estava na minha maior dedicação e meu corpo não estava como eu queria, afetando a performance (fiz um tempo de 7min e pouco e sempre esperei que fosse conseguir em um tempo menor). Isso é algo que estou inclusive tratando porque é fruto do meu excesso de cobrança por excelência.

Em setembro, ainda não estava bem, me sentia muito ansiosa e ainda bem afetada pelo que aconteceu no casamento do Daniel e me sentindo pra baixo. Logo no início do mês celebramos o casamento do Huganita que foi de uma forma bem diferente, seguindo os protocolos da pandemia. Foi um grande aprendizado acompanhar de perto todo preparativo para esse dia de perto junto com a Anita, aprendi muito de Deus por meio do que Deus fez na vida deles. Ainda indecisa e triste por não poder comemorar meu aniversário como gostaria. De toda forma, consegui chamar alguns amigos pra nossa casa (May, Camis, Didi e Felipe, Huganita - Frankanne chegaram no fim pra dormir). Foi um bom momento entre amigos e o único ponto negativo foi que esquecemos de orar e isso me deixou triste. Tentei comprar o bolos e doces veganos e não foi uma boa pedida porque não estava tão gostoso e isso também me deixou triste. Uma sensação estranha de completar os 25 anos, bem estranha. Sempre foi uma idade que queria chegar, um dos "marcos" dos meus múltiplos de 5, mas chegaram de um jeito diferente do que eu imaginava. No dia 26 mesmo fomos para o Novotel como um presente do meu pai e ficamos em família, almoçamos juntos e passamos o dia juntos. A noite Iury me fez uma surpresa muito especial me levando ao Sushi das Artes e eu realmente gostei da experiência e do cuidado que ele teve ao escolher o local. Veja se não é delicioso fazer aniversário com o amor da nossa vida cuidando de nós.

Iniciando Outubro, fomos pra SJC comemorar o aniversário da Nathalia com ela e Ingrid, irmão, cunhada e Felipe também foram. Foi um momento agradável, embora tenha me sentido deslocada e ainda muito ansiosa e precisando tratar muitos sentimentos, pensamento acelerado e sem conseguir relaxar o coração. Tirei meu day-off na primeira semana do mês e fui com a Anita no Heaven Cocina, um restaurante que queria muito conhecer, mas senti que só consegui falar sobre como tava me sentindo mal e não aproveitei o momento. Neste mês aconteceu a meia maratona que já descrevi, chá de lingerie da Larissa (foi um momento bem divertido por mais que eu estivesse muito receosa de ir!) e aniversário do meu pai aqui em casa em que demos um smartwatch pra ele (foi um momento agradável).

Logo no início de Novembro comecei a terapia porque minha mente estava absurdamente bagunçada e eu sentia um desânimo forte. Este também foi o primeiro mês sem a minha amiga Jéssica trabalhando ao meu lado e o trabalho começou a pegar mais intensamente. Nesse mês ganhamos um prêmio chamado President Award com um prêmio considerável, o que foi uma conquista notável. Ainda sobre trabalho, recebi feedbacks muito positivos ao longo deste mês, mas o meu desânimo intenso não me dava forças para me alegrar com qualquer notícia.

Ainda no final de Novembro, fomos ao casamento da Larissa e participamos da formatura do Gil e nos despedimos deles para irem pra Rio Grande. A formatura do Gil foi um momento agradável em família, pois consegui observar o quanto todos estavam felizes, me alegrando também. Como já era fim do mês, as poucas sessões de terapia já começavam a me ajudar a ver o quanto eu desejava aproveitar e viver a vida e o quanto eu queria sair do desânimo intenso que estava vivendo. Só de visualizar isso e procurar organizar minha mente, já era visível a evolução. Com a saída de Gil e Carla do Rio, fico triste por saber que poderiamos ter aproveitado mais a companhia nos anos que estivemos na mesma cidade, mas grata a Deus por eles terem tido essa oportunidade. Comemoramos no dia 30/11 nossos 5 anos de namoro e fomos novamente ao Sushi das Artes. Quem diria que foram só 5 anos, né? Parece uma vida inteira.

E assim, finalmente, chegou dezembro. Dezembro chegou com a notícia de que eu havia sido promovida para especialista pleno, finalmente. Eu havia sido notificada ainda em novembro, então consegui organizar a mente que estava aflita antes da notícia de fato chegar (obrigada, terapia!). Quando a notícia veio, meu coração já estava pronto pra se encher de alegria. Ainda em Dezembro, passamos um tempo com amigos em comemoração do aniversário da Camis e foi agradável. No fim do mês, após dias pesados de trabalho, saí de férias "finalmente" e a partir do dia 21 comecei a relaxar.

Nos dias antes e no Natal recebi Daniel e meus pais por alguns dias e Deus me concedeu a graça de aprender a me calar, a descansar meu coração nEle e buscar ser sábia. Estivemos conectados ou tentando nos conectar com o Senhor todos os dias que estivemos juntos e meu coração descansa na certeza que só o Senhor é capaz de transformar as mentes e convencer do pecado. Fomos ao Nolita, comemos muito e aproveitamos em família os dias chuvosos que tivemos. O natal mesmo foi na casa da tia Punera com Daiana e família, foi um momento em que tivemos estar atentos para os cuidados em relação a pandemia, mas pudemos aproveitar juntos. Dias antes do natal consegui cortar quase todo o cabelo que estava me pesando mil quilos e ainda fiz a doação de cabelo que sempre quis.

Por fim, no dia 31 de dezembro decidimos fazer um churrasco para ironicamente fechar o ano que menos comemos carne na vida (é pra rir desse casal, não?). Realmente me senti bem esse dia, fizemos bastante coisa, quase colocamos fogo na casa, jogamos diversos jogos, terminamos de assistir Gambito da Rainha, namoramos e conversamos até quase 4h da manhã e na companhia de só nós dois: tão bom.

No primeiro dia do ano fomos para os meus pais, almoçamos e jogamos dominó. Amo esses momentos simples com eles e tenho certeza que eles precisarão mais de nós esse ano e por isso, espero que aconteçam muitas vezes. Os dias que se seguiram passamos aproveitando juntos, Iury logo voltou a trabalhar e eu usei a primeira semana do ano para estar com amigas (Marcelli e Camilla) e ir a praia que é no nosso quintal e devido a pandemia quase não usamos. E agora, pra fechar, no último final de semana fomos passar um dia em um hotel com meus pais e Suki. Foi um tempo tão agradável e eu e Iury fomos agraciados com a nossa primeira vez em uma suíte master, tivemos uma hidromassagem pela primeira vez e por mais que eu nunca tenha gostado de banheira, aproveitamos muito e nos divertimos juntos. Queriamos aproveitar tanto que até acordamos cedo para ir a academia, creio que chegamos nesse estágio da vida que paramos de querer dormir em viagens.

Em resumo, este foi definitivamente o ano em que estive mais perto do meu Senhor individualmente, mas em casal também (dezembro começamos a nutrir o hábito de nos reunirmos pra fazer um devocional conduzido pelo July todo dia e tem sido abençoador vê-lo cuidando da nossa família desse jeito e podermos orar juntos). Louvo a Deus pelos dias que nos concedeu, pelo cuidado sem fim e por sua Palavra que fala tão intensamente quando queremos ouvir. Louvo a Deus pelo desejo de transmitir isso para outros, mesmo que meu imenso pecado me paralise e enfraqueça quase sempre.

Para 2021 quero estabelecer o tema "confiança", quero confiar mais na soberania do Senhor e entregar todas as minhas preocupações para Ele, confiar verdadeiramente no que não posso ver. Quero confiar no meu marido e estar pronta pra depender dEle, mesmo quando meu pecado quer que eu me ache superior em completar uma tarefa. Quero viver e ser quem Deus quer que eu seja, pra Ele e por consequência pra todos os que amo.

"Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir." Salmos 139: 15 - 16