segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Um amor que merecia ser mais bonito

Sem elas, sem eles, sem perguntas e sem futuro. Você em mim e eu em você. Sem contar, sem explicar e sem mentir. Você sente em mim e eu sinto em você. Sem fingir sorrir, sem sorrir forçado. Só há sorrisos entre beijos, sorrisos acompanhando as suas mãos, sorrisos apontando a direção. Aquele meu sorriso de siga em frente que você conhece. Podemos tudo, inclusive nada. Nada de falas erradas, falas falsas, intencionais e disfarçadas. Tudo dito, sem nada pra dizer. Sem fugas, sem tempo e sem roupas. Tudo em slow motion. Daquele jeito e do outro também. Eramos tudo. Tudo em mim e tudo em você. Sem apostas, sem promessas e sem expectativas. Só o mar, a grama e o "no people" que a gente sempre fala sobre. Eu sua, você meu. Sem medo, sem interpretações erradas e sem receio. A nossa história sem todos os pontos que enfiaram, sem todos os contos que a enfeiaram.

Você em mim e eu em você, sendo tudo que podemos ser.
Me deixa quieta. 
Me deixa tua. 
Me deixa nua.
Me fala a vida.
Me faz tua vida.

Não para. Não cala.

Nossa vida.
Nós e a vida.
Nós da vida.

sábado, 25 de agosto de 2012

Toca o seu ritmo.

Resolvi minha vida do lado avesso tem 3 meses quase. Talvez por motivos errados eu tenha começado a fazer a única coisa que não cansa o meu tempo esses dias. A única coisa que não me dá vontade de ir embora e por algum motivo sem motivo, eu quero parar com ela. Eu devo ter problemas sérios.
É o dia de hoje ou eu realmente quero acabar com a única coisa que tem arrancado meu sorriso? Sei que eu mudo de ideia sempre e não ter certeza é a única certeza que eu tenho sobre mim... mas, o final parece tão certo hoje. Tão perto. Tão lá. Tão aqui. Tão nós.
"Desculpa se eu não consigo te tranquilizar." "Desculpa se eu não disse o que você queria". "O que eu fiz de errado agora?" "Quais são os seus motivos pra isso?" "Eu entendo".
Eu ouvi, ouvi... e tudo soou mais como "acaba com isso agora". Eu devo ter problemas sérios. Eu nem mesmo sei se é isso que eu quero. É tão ruim ter que tomar uma decisão porque sua cabeça maluca diz que é isso se nem mesmo eu e nem ninguém quer isso. Por que raios meus pensamentos vem sempre do lado contrário? Acho que eu os traduzo errado. Deve ser. Intuições estranhas, ideias erradas. As coisas vem todas ao mesmo tempo pra mim, preciso organizar e eu odeio organizar.
"Vai devagar." "Isso me parece rápido, devagar." "Vamos devagar." "Calma." "Respira direito!" "Seu coração tá muito rápido." "Tô sentindo seu coração daqui, manda ele ficar quieto que eu quero dormir!"
Eu disse, disse pra ir devagar. Eu disse, mas parece que eu quero rapidez. A sua rapidez. Quero soluções apaixonadas tomadas de forma errada. Quero que fale o que eu não quero ouvir. Quero me sentir estranhamente feliz com uma frase boba. Eu disse pra não dizermos essas frases bobas. Eu disse, mas quero que diga. Por que ninguém ler meus pensamentos? Talvez os traduzam melhor que eu.
Eu quero ir rápido agora. Quero me precipitar. Agora, devagar. Respira do jeito errado de novo... Respira do jeito errado pra eu te consertar. Quero que você vá rápido, só pra ter a graça de pedir pra desacelerar. Seu coração tem que bater loucamente pra eu dizer que tá me atrapalhando de dormir. Não quero te escutar, quero fingir estar te ouvindo e depois te perguntar se o que estava falando era um filme ou livro. Era uma música. Quero mandar você calar a boca depois de dizer alguma coisa realmente muito romântica. Quero que diga exatamente as coisas românticas que não podíamos dizer. Que não me deixe dormir quando eu peço por favor. Faz aquele negócio que eu odeio. Me deixa falando sozinha. Me interrompa com um beijo verde claro. Ria quando eu digo "para de rir de mim!".
É isso. Para de me ouvir que a gente não para. Para de acreditar quando eu digo pra ir devagar, continue rápido. Deixa o seu ritmo. Deixa ele que eu juro que eu não quero mais acabar. Vamos acelerar, do seu jeito. Do jeito que eu odeio.

Acho que está devagar demais. Devagar demais, exatamente como eu queria.

Só venho aqui pra falar de amores, de dores e essas coisas. Me surpreende que hoje eu tenho:
Um amor. Uma dor. E nada pra dizer.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Desescondendo antigos amores


Por esses dias fui desesconder "antigos algos" que eu havia escondido. Estava a tentar arrumar as velhas coisas, jogar fora o que não me trazia nenhuma lembrança. Aceitando até o que me trazia más lembranças, seja boa ou ruim... de memórias eu nunca me farto. Descobri antigos desejos, alguns irreveláveis. Irreveláveis, é! Esses são os melhores. Descobri minhas pequenas mãos, minhas pequenas lágrimas apaixonadas e meu primeiro complexo. Me pergunto quando foi que eu os esqueci, quando foi que eu os deixei de lado e fui me dedicar a algum outro canto do meu quartinho. O outro canto com certeza me prendeu lá, a minha caixinha que antes era tão acessada, agora precisa ser descoberta. Quando entrei naquele novo estado velho do meu quartinho, só pude lembrar das noites que passei com Clarice. Clarice e o seu quartinho em "A paixão segundo G.H". Eu estava exatamente como ela, redescobrindo algo novo dentro das minhas antigas coisas.
De tanto que Clarice me perseguia a mente direita, me lembrei de Cecília ao meu lado esquerdo. Ao redescobrir minhas antigas paixões, não podia me esquecer de Cecília! Cecília foi minha paixão durante minha média-infância ou sei lá de que eu posso chamar aquela fase, ela me dizia exatamente como eu me sentia. Minha primeira ação foi telefona-la pra ver se ela ainda se lembrava de mim e se ainda me conhecia como antes e que surpresa!! Cecília ainda me ama e ainda me conhece como me conhecia, vejo que não pode ser possível que eu tenha mudado tanto.
Por fim, o que descobri é que ainda sou a mesma e Cecília também. E é por ela ser ela mesma e eu ser eu mesma que vou colocar dois dos meus amores de Cecília aqui pra quem um dia for ler, talvez esse quem também descubra seu amor de Cecília.
Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?
(Minha Ceci)


Canção
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio…
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
(Cecília Meireles)

sábado, 31 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011

Estava eu a me questionar se começaria a escrever minha retrospectiva 2011 em 2011 ou em 2012. Decidi por escrever agora, ainda em 2011, pra que eu me sinta seguindo uma pseudo-tradição já que fiz isso ano passado também.
2011 teve um  início incrível e talvez por isso se torne um ano inesquecível, fiz bom proveito de cada segundo de férias que tive e vivi experiências novas e surpreendentes. Chorei no dia 30 de Janeiro, chorei em lembrar que aquele ensolarado e aventureiro Janeiro estava no fim e chorei pensando que o que me aguardava durante o resto dos dias deste ano só poderia ser mais ensolarado e aventureiro ainda... errado. Estava profundamente imersa na enganação. Aquele Janeiro ficará para história e por ele é que eu não me permito dizer que 2011 foi um ano ruim, até porque quem sou eu pra definir se um ano foi bom ou ruim apenas no auge dos meus meros 16 anos? 2011 foi a continuação ruim de um filme bom, aquele seu filme preferido que a continuação dele te decepciona lindamente, mas você não pode dizer que não gosta do filme. 

Nesse ano, eu consegui estudar e me dedicar como nunca antes tinha feito e me surpreendi. Mantive o sorriso em momentos que eu poderia jurar que isso era impossível e fiz amigos. É, fiz muitos amigos. Amigos vascaínos, a propósito. Conheci todos os extremos que a amizade nos carrega ou pelo menos penso que sim.
Me machuquei, ah, isso eu fiz como mestre, fiz com excelência. Me machuquei com quem sempre me machuca e com quem nunca pensei que fosse me machucar. Quando falo de machucados, uma situação me vem a mente e me faz esquecer de todas as outras possíveis feridas que eu possa ter formado. Logo, essa retrospectiva não ficará tão fiel nesse quesito porque no fundo só estarei falando de um machucado. Machucado bem fundo. Perdi o ar, gastei todas as lágrimas, perdi a fome, senti dores, desmaiei de tanto imaginar. Imaginei os dois, imaginei nós dois, imaginei por todos nós e por mais alguns também. Viajei por um tempo dentro de mim mesma, decidi podar cuidadosamente o meu jardim e fiz isso com calma e quase fiz um bom trabalho.
Em 2011, eu morri de fome, sonhei acordada, fui a lua, beijei, abracei, corri por ruas desconhecidas, ouvi e falei. Ouvi as músicas como quem apreciava o melhor prato do melhor cheff, usei as músicas pra guardar os momentos e pra me lembrar de pessoas. Eu beijei a vida, beijei as paredes e os postes esperando que eles me dissessem por onde ir. Deixei o meu melhor beijo ainda em 2010, mas tive os melhores momentos. Andei ainda ao lado de Deus e Ele conversou comigo como um amigo conversa com sua amiga e isso foi incrível.
Eu fiquei com vontade e aumentei o meu controle. Fiz o que tive vontade alguns momentos e em outros eu fiquei na vontade e até a vontade. Perdi a vontade.
Torci, chorei, me decepcionei, fui aos jogos, perdi a voz, perdi as lágrimas, os xingamentos, as declarações de amor... perdi tudo e doei tudo ao Botafogo e não me arrependo, conheci novos alvinegros, novas motivações e fui aos piores jogos e deixei de ir nos melhores.
Conheci a inocência de perto e vi o quanto isso é precioso e importante pra mim, guardei esses e isso 2011 fez direitinho. Abracei a inocência e quero ela sempre comigo. Me senti acolhida e segura mesmo que desconhecida. Fui amada sem ser conhecida de verdade, é, você me amou mas você nunca soube quem eu sou. Guardei isto.
Na chuva, no banco, na rua, no calor, no ônibus, no shopping, no trem... na vida.
2011 me trouxe algumas surpresas... ruins. E outras também... ruins. Outras ainda, piores. Mas, uma coisa boa 2011 me trouxe: 2012. Ok, nem serei tão reclamona assim... 2011 me trouxe conhecimento maior de mim, de Deus, de antigos amigos e de novos amigos. Vejamos só, já estamos com um pé em 2012.
Uma palavra pra 2011: CONHECIMENTO.
E QUE VENHA 2012! Estou ansiosamente esperando por você com um sorriso no rosto.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Cartas de Sophia



Henry,
Todas as tardes podiam ser como aquela tarde, aquela tarde quando não fingimos que brigamos e não brigamos de verdade. A tarde que fingimos que não descordamos tanto e somos tão diferentes. A tarde em que não digo que está tudo bem e você não diz que quer me matar. Todas as tardes podiam ser mais como hoje. O nosso problema é não aceitar que somos mentes fictícias vivendo no mundo real, somos dois seres tão parecidos em sua essência e tão diferentes no seu conteúdo. É como se nós estivessemos em um mesmo frasco de vidro, só que eu sou o suco de caju e você o suco de limão. Entendeu? Ok. Somos como dois personagens de um livro que foram supostamente condenados a viver no mundo real. Não é um livro daqueles em que tudo dá certo, é um livro em que tudo acontece de forma errada e que os personagens tem sempre muito tempo pra pensar e pensar. Eu não sei o fim do nosso livro e nem sequer conheço o enredo. Sei que no nosso livro as falas eram sempre marcantes e as brigas soltavam faíscas. No livro quando nessas tardes ternas em que nada de errado acontece, nós iriamos nos amar profundamente e tão intensamente que perderíamos toda vontade de mais uma briga, não digo necessariamente no sentido físico (não excluindo isso), mas nos amaríamos com a alma. Essas tardes trariam memórias melhores do que construímos. No dia em que tudo isso chegar ao fim, terei algo pra sentir saudade. Talvez se retornássemos para o nosso livro um dia, pra onde nossos pensamentos façam sentido... talvez. Talvez assim tudo dure mais do que apenas mais 1 ano. Eu não sei. Sinto agora que nossas tardes não serão mais assim, isso não vai acontecer de novo. Não irá acontecer, até um de nós ceder.


Sophia Iris, a confusa.

sábado, 15 de outubro de 2011

Libertamento preso

Nada mais me prende a esse país. Mentira. Estou presa, mas digo que não para pensar que não e meu coração me deixar ir. Estou me entregando toda às forças policiais. Eu disse que iria, por que perseverou em não acreditar em nada que passava pelos meus lábios? Eu jurei que não iria me entregar, fiz promessa, cai da mesa e subi aquela porta. Pela porta parecia mais fácil que pela parede, não entendi. Você disse que não precisava, que não iria me prender e que sempre que eu quisesse poderia ir. Assim fiz. Disse que ficaria só por alguns dias, só pra sorrir um pouco. Sorri até demais e acho que gostei. Gostei do que dizia todo dia, dos seus ouvidos sempre confiáveis. Gostei de poder falar sobre o sangramento e de curar o seu ferimento. Meu ombro ficou todo alegre, dizia e dizia que não queria voltar pra casa. Minha casa era feliz pra mim, mas era um feliz sozinho, um feliz eu e Deus. Era feliz só por causa dEle e mais ninguém. Mesmo assim, na minha casa não tinha as suas pernas. Eu jurei que não ia gostar, que ia continuar tudo como era. Até durou um tempo a minha promessa, só que eu gostei da sua boca. Gostei mesmo dela, sonhei com ela e pensei nela. Ela me dizia e me ouvia, me beijava e gostava de mim. Ela tinha gosto de azul e azul é quase verde. Só tinha beijado amarelo, azul nunca. Um dia te senti distante e por ter sentido pensei que tinha me entregado e nem havia notado. Foi o que houve. Me entreguei sem notar e lá estava eu e o seu azul todo azulado. Quando notei, o meu mergulho já estava bem fundo, lembrei-me do dia em que não me quiseram, o dia em que me deixaram. Me senti como naquele dia, me senti dependendo de algo. Não gosto disso. Não gosto de depender e de esperar, sempre me decepciono. Acho que conseguiu o que você queria e eu não sei o que eu queria então não sei se consegui. Só sei que vivi e essa é a minha vida. Minha vida sobe por janelas e cai dentro de caixas. Você não é janela nem caixa, você é pasta rosa. Agora eu vou mesmo embora. Vou devagar pra ver se não você não percebe, não quero ter que ouvir, sentir e gostar. Quero ficar, quer dizer quero ir. Devo ir, devagar mesmo. Eu já vou indo nessa velocidade mesmo. Vou porque não quero mergulhar mais fundo que isso.
Juro que não mando lembranças, mas acabarei mandando.
Quando eu for, me diga se me viu partir.




"Ah, se já perdemos a noção da hora se juntos já jogamos tudo fora, me conta agora como hei de partir. Ah, se ao te conhecer dei pra sonhar, fiz tantos desvarios, rompi com o mundo, queimei meus navios, me diz pra onde é que inda posso ir. Se nós nas travessuras das noites eternas já confundimos tanto as nossas pernas, diz com que pernas eu devo seguir. Se entornaste a nossa sorte pelo chão, se na bagunça do teu coração meu sangue errou de veia e se perdeu." Chico Buarque