Um amor. Uma dor. E nada pra dizer.
sábado, 25 de agosto de 2012
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Desescondendo antigos amores
Por esses dias fui desesconder "antigos algos" que eu havia escondido. Estava a tentar arrumar as velhas coisas, jogar fora o que não me trazia nenhuma lembrança. Aceitando até o que me trazia más lembranças, seja boa ou ruim... de memórias eu nunca me farto. Descobri antigos desejos, alguns irreveláveis. Irreveláveis, é! Esses são os melhores. Descobri minhas pequenas mãos, minhas pequenas lágrimas apaixonadas e meu primeiro complexo. Me pergunto quando foi que eu os esqueci, quando foi que eu os deixei de lado e fui me dedicar a algum outro canto do meu quartinho. O outro canto com certeza me prendeu lá, a minha caixinha que antes era tão acessada, agora precisa ser descoberta. Quando entrei naquele novo estado velho do meu quartinho, só pude lembrar das noites que passei com Clarice. Clarice e o seu quartinho em "A paixão segundo G.H". Eu estava exatamente como ela, redescobrindo algo novo dentro das minhas antigas coisas.
De tanto que Clarice me perseguia a mente direita, me lembrei de Cecília ao meu lado esquerdo. Ao redescobrir minhas antigas paixões, não podia me esquecer de Cecília! Cecília foi minha paixão durante minha média-infância ou sei lá de que eu posso chamar aquela fase, ela me dizia exatamente como eu me sentia. Minha primeira ação foi telefona-la pra ver se ela ainda se lembrava de mim e se ainda me conhecia como antes e que surpresa!! Cecília ainda me ama e ainda me conhece como me conhecia, vejo que não pode ser possível que eu tenha mudado tanto.
Por fim, o que descobri é que ainda sou a mesma e Cecília também. E é por ela ser ela mesma e eu ser eu mesma que vou colocar dois dos meus amores de Cecília aqui pra quem um dia for ler, talvez esse quem também descubra seu amor de Cecília.
De tanto que Clarice me perseguia a mente direita, me lembrei de Cecília ao meu lado esquerdo. Ao redescobrir minhas antigas paixões, não podia me esquecer de Cecília! Cecília foi minha paixão durante minha média-infância ou sei lá de que eu posso chamar aquela fase, ela me dizia exatamente como eu me sentia. Minha primeira ação foi telefona-la pra ver se ela ainda se lembrava de mim e se ainda me conhecia como antes e que surpresa!! Cecília ainda me ama e ainda me conhece como me conhecia, vejo que não pode ser possível que eu tenha mudado tanto.
Por fim, o que descobri é que ainda sou a mesma e Cecília também. E é por ela ser ela mesma e eu ser eu mesma que vou colocar dois dos meus amores de Cecília aqui pra quem um dia for ler, talvez esse quem também descubra seu amor de Cecília.
Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?
(Minha Ceci)
Canção
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio…
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio…
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
(Cecília Meireles)
sábado, 31 de dezembro de 2011
Retrospectiva 2011
Estava eu a me questionar se começaria a escrever minha retrospectiva 2011 em 2011 ou em 2012. Decidi por escrever agora, ainda em 2011, pra que eu me sinta seguindo uma pseudo-tradição já que fiz isso ano passado também.
2011 teve um início incrível e talvez por isso se torne um ano inesquecível, fiz bom proveito de cada segundo de férias que tive e vivi experiências novas e surpreendentes. Chorei no dia 30 de Janeiro, chorei em lembrar que aquele ensolarado e aventureiro Janeiro estava no fim e chorei pensando que o que me aguardava durante o resto dos dias deste ano só poderia ser mais ensolarado e aventureiro ainda... errado. Estava profundamente imersa na enganação. Aquele Janeiro ficará para história e por ele é que eu não me permito dizer que 2011 foi um ano ruim, até porque quem sou eu pra definir se um ano foi bom ou ruim apenas no auge dos meus meros 16 anos? 2011 foi a continuação ruim de um filme bom, aquele seu filme preferido que a continuação dele te decepciona lindamente, mas você não pode dizer que não gosta do filme.
Nesse ano, eu consegui estudar e me dedicar como nunca antes tinha feito e me surpreendi. Mantive o sorriso em momentos que eu poderia jurar que isso era impossível e fiz amigos. É, fiz muitos amigos. Amigos vascaínos, a propósito. Conheci todos os extremos que a amizade nos carrega ou pelo menos penso que sim.
Me machuquei, ah, isso eu fiz como mestre, fiz com excelência. Me machuquei com quem sempre me machuca e com quem nunca pensei que fosse me machucar. Quando falo de machucados, uma situação me vem a mente e me faz esquecer de todas as outras possíveis feridas que eu possa ter formado. Logo, essa retrospectiva não ficará tão fiel nesse quesito porque no fundo só estarei falando de um machucado. Machucado bem fundo. Perdi o ar, gastei todas as lágrimas, perdi a fome, senti dores, desmaiei de tanto imaginar. Imaginei os dois, imaginei nós dois, imaginei por todos nós e por mais alguns também. Viajei por um tempo dentro de mim mesma, decidi podar cuidadosamente o meu jardim e fiz isso com calma e quase fiz um bom trabalho.
Em 2011, eu morri de fome, sonhei acordada, fui a lua, beijei, abracei, corri por ruas desconhecidas, ouvi e falei. Ouvi as músicas como quem apreciava o melhor prato do melhor cheff, usei as músicas pra guardar os momentos e pra me lembrar de pessoas. Eu beijei a vida, beijei as paredes e os postes esperando que eles me dissessem por onde ir. Deixei o meu melhor beijo ainda em 2010, mas tive os melhores momentos. Andei ainda ao lado de Deus e Ele conversou comigo como um amigo conversa com sua amiga e isso foi incrível.
Eu fiquei com vontade e aumentei o meu controle. Fiz o que tive vontade alguns momentos e em outros eu fiquei na vontade e até a vontade. Perdi a vontade.
Torci, chorei, me decepcionei, fui aos jogos, perdi a voz, perdi as lágrimas, os xingamentos, as declarações de amor... perdi tudo e doei tudo ao Botafogo e não me arrependo, conheci novos alvinegros, novas motivações e fui aos piores jogos e deixei de ir nos melhores.
Conheci a inocência de perto e vi o quanto isso é precioso e importante pra mim, guardei esses e isso 2011 fez direitinho. Abracei a inocência e quero ela sempre comigo. Me senti acolhida e segura mesmo que desconhecida. Fui amada sem ser conhecida de verdade, é, você me amou mas você nunca soube quem eu sou. Guardei isto.
Na chuva, no banco, na rua, no calor, no ônibus, no shopping, no trem... na vida.
2011 me trouxe algumas surpresas... ruins. E outras também... ruins. Outras ainda, piores. Mas, uma coisa boa 2011 me trouxe: 2012. Ok, nem serei tão reclamona assim... 2011 me trouxe conhecimento maior de mim, de Deus, de antigos amigos e de novos amigos. Vejamos só, já estamos com um pé em 2012.
Uma palavra pra 2011: CONHECIMENTO.
E QUE VENHA 2012! Estou ansiosamente esperando por você com um sorriso no rosto.
2011 teve um início incrível e talvez por isso se torne um ano inesquecível, fiz bom proveito de cada segundo de férias que tive e vivi experiências novas e surpreendentes. Chorei no dia 30 de Janeiro, chorei em lembrar que aquele ensolarado e aventureiro Janeiro estava no fim e chorei pensando que o que me aguardava durante o resto dos dias deste ano só poderia ser mais ensolarado e aventureiro ainda... errado. Estava profundamente imersa na enganação. Aquele Janeiro ficará para história e por ele é que eu não me permito dizer que 2011 foi um ano ruim, até porque quem sou eu pra definir se um ano foi bom ou ruim apenas no auge dos meus meros 16 anos? 2011 foi a continuação ruim de um filme bom, aquele seu filme preferido que a continuação dele te decepciona lindamente, mas você não pode dizer que não gosta do filme.
Nesse ano, eu consegui estudar e me dedicar como nunca antes tinha feito e me surpreendi. Mantive o sorriso em momentos que eu poderia jurar que isso era impossível e fiz amigos. É, fiz muitos amigos. Amigos vascaínos, a propósito. Conheci todos os extremos que a amizade nos carrega ou pelo menos penso que sim.
Me machuquei, ah, isso eu fiz como mestre, fiz com excelência. Me machuquei com quem sempre me machuca e com quem nunca pensei que fosse me machucar. Quando falo de machucados, uma situação me vem a mente e me faz esquecer de todas as outras possíveis feridas que eu possa ter formado. Logo, essa retrospectiva não ficará tão fiel nesse quesito porque no fundo só estarei falando de um machucado. Machucado bem fundo. Perdi o ar, gastei todas as lágrimas, perdi a fome, senti dores, desmaiei de tanto imaginar. Imaginei os dois, imaginei nós dois, imaginei por todos nós e por mais alguns também. Viajei por um tempo dentro de mim mesma, decidi podar cuidadosamente o meu jardim e fiz isso com calma e quase fiz um bom trabalho.
Em 2011, eu morri de fome, sonhei acordada, fui a lua, beijei, abracei, corri por ruas desconhecidas, ouvi e falei. Ouvi as músicas como quem apreciava o melhor prato do melhor cheff, usei as músicas pra guardar os momentos e pra me lembrar de pessoas. Eu beijei a vida, beijei as paredes e os postes esperando que eles me dissessem por onde ir. Deixei o meu melhor beijo ainda em 2010, mas tive os melhores momentos. Andei ainda ao lado de Deus e Ele conversou comigo como um amigo conversa com sua amiga e isso foi incrível.
Eu fiquei com vontade e aumentei o meu controle. Fiz o que tive vontade alguns momentos e em outros eu fiquei na vontade e até a vontade. Perdi a vontade.
Torci, chorei, me decepcionei, fui aos jogos, perdi a voz, perdi as lágrimas, os xingamentos, as declarações de amor... perdi tudo e doei tudo ao Botafogo e não me arrependo, conheci novos alvinegros, novas motivações e fui aos piores jogos e deixei de ir nos melhores.
Conheci a inocência de perto e vi o quanto isso é precioso e importante pra mim, guardei esses e isso 2011 fez direitinho. Abracei a inocência e quero ela sempre comigo. Me senti acolhida e segura mesmo que desconhecida. Fui amada sem ser conhecida de verdade, é, você me amou mas você nunca soube quem eu sou. Guardei isto.
Na chuva, no banco, na rua, no calor, no ônibus, no shopping, no trem... na vida.
2011 me trouxe algumas surpresas... ruins. E outras também... ruins. Outras ainda, piores. Mas, uma coisa boa 2011 me trouxe: 2012. Ok, nem serei tão reclamona assim... 2011 me trouxe conhecimento maior de mim, de Deus, de antigos amigos e de novos amigos. Vejamos só, já estamos com um pé em 2012.
Uma palavra pra 2011: CONHECIMENTO.
E QUE VENHA 2012! Estou ansiosamente esperando por você com um sorriso no rosto.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Cartas de Sophia
Henry,
Todas as tardes podiam ser como aquela tarde, aquela tarde quando não fingimos que brigamos e não brigamos de verdade. A tarde que fingimos que não descordamos tanto e somos tão diferentes. A tarde em que não digo que está tudo bem e você não diz que quer me matar. Todas as tardes podiam ser mais como hoje. O nosso problema é não aceitar que somos mentes fictícias vivendo no mundo real, somos dois seres tão parecidos em sua essência e tão diferentes no seu conteúdo. É como se nós estivessemos em um mesmo frasco de vidro, só que eu sou o suco de caju e você o suco de limão. Entendeu? Ok. Somos como dois personagens de um livro que foram supostamente condenados a viver no mundo real. Não é um livro daqueles em que tudo dá certo, é um livro em que tudo acontece de forma errada e que os personagens tem sempre muito tempo pra pensar e pensar. Eu não sei o fim do nosso livro e nem sequer conheço o enredo. Sei que no nosso livro as falas eram sempre marcantes e as brigas soltavam faíscas. No livro quando nessas tardes ternas em que nada de errado acontece, nós iriamos nos amar profundamente e tão intensamente que perderíamos toda vontade de mais uma briga, não digo necessariamente no sentido físico (não excluindo isso), mas nos amaríamos com a alma. Essas tardes trariam memórias melhores do que construímos. No dia em que tudo isso chegar ao fim, terei algo pra sentir saudade. Talvez se retornássemos para o nosso livro um dia, pra onde nossos pensamentos façam sentido... talvez. Talvez assim tudo dure mais do que apenas mais 1 ano. Eu não sei. Sinto agora que nossas tardes não serão mais assim, isso não vai acontecer de novo. Não irá acontecer, até um de nós ceder.
Sophia Iris, a confusa.
sábado, 15 de outubro de 2011
Libertamento preso
Nada mais me prende a esse país. Mentira. Estou presa, mas digo que não para pensar que não e meu coração me deixar ir. Estou me entregando toda às forças policiais. Eu disse que iria, por que perseverou em não acreditar em nada que passava pelos meus lábios? Eu jurei que não iria me entregar, fiz promessa, cai da mesa e subi aquela porta. Pela porta parecia mais fácil que pela parede, não entendi. Você disse que não precisava, que não iria me prender e que sempre que eu quisesse poderia ir. Assim fiz. Disse que ficaria só por alguns dias, só pra sorrir um pouco. Sorri até demais e acho que gostei. Gostei do que dizia todo dia, dos seus ouvidos sempre confiáveis. Gostei de poder falar sobre o sangramento e de curar o seu ferimento. Meu ombro ficou todo alegre, dizia e dizia que não queria voltar pra casa. Minha casa era feliz pra mim, mas era um feliz sozinho, um feliz eu e Deus. Era feliz só por causa dEle e mais ninguém. Mesmo assim, na minha casa não tinha as suas pernas. Eu jurei que não ia gostar, que ia continuar tudo como era. Até durou um tempo a minha promessa, só que eu gostei da sua boca. Gostei mesmo dela, sonhei com ela e pensei nela. Ela me dizia e me ouvia, me beijava e gostava de mim. Ela tinha gosto de azul e azul é quase verde. Só tinha beijado amarelo, azul nunca. Um dia te senti distante e por ter sentido pensei que tinha me entregado e nem havia notado. Foi o que houve. Me entreguei sem notar e lá estava eu e o seu azul todo azulado. Quando notei, o meu mergulho já estava bem fundo, lembrei-me do dia em que não me quiseram, o dia em que me deixaram. Me senti como naquele dia, me senti dependendo de algo. Não gosto disso. Não gosto de depender e de esperar, sempre me decepciono. Acho que conseguiu o que você queria e eu não sei o que eu queria então não sei se consegui. Só sei que vivi e essa é a minha vida. Minha vida sobe por janelas e cai dentro de caixas. Você não é janela nem caixa, você é pasta rosa. Agora eu vou mesmo embora. Vou devagar pra ver se não você não percebe, não quero ter que ouvir, sentir e gostar. Quero ficar, quer dizer quero ir. Devo ir, devagar mesmo. Eu já vou indo nessa velocidade mesmo. Vou porque não quero mergulhar mais fundo que isso.
Juro que não mando lembranças, mas acabarei mandando.
Quando eu for, me diga se me viu partir.
Juro que não mando lembranças, mas acabarei mandando.
Quando eu for, me diga se me viu partir.
"Ah, se já perdemos a noção da hora se juntos já jogamos tudo fora, me conta agora como hei de partir. Ah, se ao te conhecer dei pra sonhar, fiz tantos desvarios, rompi com o mundo, queimei meus navios, me diz pra onde é que inda posso ir. Se nós nas travessuras das noites eternas já confundimos tanto as nossas pernas, diz com que pernas eu devo seguir. Se entornaste a nossa sorte pelo chão, se na bagunça do teu coração meu sangue errou de veia e se perdeu." Chico Buarque
sábado, 24 de setembro de 2011
Os infinitos dos seus quinze anos.
Sinceramente, espero que junto com a intensidade dos quinze anos vá embora a complicação de uma adolescente complicada. Não vou deixar de ser adolescente, vou continuar nessa fase estranha e sem sentido que me prende de mais a tudo, que faz cada respiração ser um aprendizado. Se está a todo momento concluindo sobre o nada, aprendendo, se decepcionando. Not enough, baby. É normal pensar "O que será que fulano vai achar se eu fizer o que eu quero fazer?", sabe o que é que o fulano vai achar? Vai achar um monte de explicações e justificativas pra você ter feito o que fez, menos que você o fez porque estava com vontade. Estamos constantemente nos enganando e enganando os outros. Tentando ser diferente e sendo igual a todos os outros diferentes. Jurando que gosta de Rock, porque quem gosta de Rock é roqueiro e ser roqueiro é como ser "nem aí?", mas sabe o que é ser nem aí? ser nem aí é não estar nem aí pra o que as pessoas vão achar das suas músicas, ser nem aí é estar nem aí para ser nem aí. Ninguém está sendo quem é. Estamos sendo quem pensamos que somos, o que muitas vezes é diferente de quem realmente somos. Entendeu?
A vida é simples. Quer dizer, eu não sei, mas eu acredito que seja bem simples, porque a vida é simplesmente a vida. Ela existe e acabou. Você sente e acabou. Por que? Porque permanecemos eternamente se prendendo a um futuro que nem sabemos se estaremos vivos, porque ainda vivemos a fazer pelos outros e não por nós? Engraçado. Um dia, eu juro: um dia eu vou conseguir ser tão simples quanto a vida nos pede pra ser. Por enquanto ainda não dá, mas eu como um ser não-simples coloco toda a culpa na adolescência. Até porque... a culpa nunca é minha. Eu li esses dias, esse mini texto:
"As pessoas complicam muito as coisas, ainda mais quando querem algo. Saudade? Ligue. Quer encontrar? Convide. Quer compreensão? Explique-se. Dúvidas? Pergunte. Não gostou? Fale. Gostou? Fale mais. Tá com vontade? Faça. Quer algo? Pedir é a melhor maneira de começar a merecer. Se o não você já tem ao tentar, só se corre o risco do sim. A vida é uma só!"
Parece tão simples vendo assim, não é? Vai lá ser simples que eu vou devagar e um dia eu chego lá.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Minha cicatriz risonha e corrosiva.
Querida ferida
Boa tarde! Boa noite! Só durante as minhas manhãs é que você ainda me deixa tranquila, ainda fica longe de mim. Deveria te agradecer por isso? Obrigada! Eu já não sei mais se você ainda existe ou se é a parte masoquista de mim que ainda quer te ter por perto. Acho que eu gosto de como arde, de como estala, arranha e piora. Ou melhor, eu gosto de como dói. Estranho isso, né? Desculpa!
Eu não sei qual é a parte mais engraçada guardada nessa sua casca, não sei se é a parte que envolve outras pessoas e do que as outras pessoas fazem e de como elas não se importam nem de graça com você e comigo tendo você ou a parte minha mesmo, a parte da minha maluquice total, da minha infantilidade e dificuldade de evoluir, esquecer, superar.
É, talvez o problema seja todo meu. Acho que você já me disse isso, não disse? "Ou, o problema é todo seu." "O problema é que você não esquece." "Não me lembro de você, quem é?" "Não acredito que ainda está aí esperando que eu vá embora, todo esse tempo."
Talvez eu tenha me perdido em uma parte da linha do tempo, tenha estacionado uma área na minha vida. Estacionado? Não, pisado em um buraco bem fundo que eu não sei mais como sai, mas eu tento. Juro.
Talvez eu esteja aqui mentindo, querida. Estou mentindo pra você. Na verdade, você é a minha saída, minha desculpa. Na verdade, eu estou fingindo ou só dizendo palavrinhas e no fundo bem fundo eu é que não ligo. Inventei. Sou criativa. Inventei. Criei uma suposta cicatriz e eu sou uma gênia. Tão gênia que eu inventei tão bem inventado que não sei desinventar.
Não entendeu? Você é muito lenta. Desculpa! Eu acho.
Ah, quase me esqueço o que eu ia lhe pedir. Gostaria que você avisasse aos seus coronéis, aqueles dois que antes eram um e se dividiram em dois, que quando eles quiserem eles podem a levar de volta ou me matar de vez. Irônico. Sabia que a segunda parte do seu senhor ainda diz que me considera? Eu sei. Eu sei. Você já me disse que eu que quis assim, mas nada é bem assim. Nada é bem assim. Na verdade, eu espero ainda por esses dias que os seus coronéis resolvam lembrar de mim, lembrar da minha humilde existência, ou talvez lembrar de você, lembrar que você ainda está em mim. Espero que se lembrem que ambos um dia disseram que eu valia ao menos um níquel em seus bolsos e que hoje só mostram que os seus bolsos sempre estiveram cheios de si e não havia nem ao menos um pedaço de mim. Espero que se recordem que me trituram e me afundam agulhas a cada gesto e se não podem deixar de fazê-los, pelo menos os escondam dos meus olhos. Diga a eles que eu espero que ambos fiquem bem longe do meu coração, já que não deixo-os longe do meu sorriso e das minhas conversas. É. Eu tenho agido indiferente, mas no meu coração só há você, minha querida. Não resta nem mais uma gota de um ou de outro.
Não quero tomar muito o seu tempo, você deve ter alguma parte de mim para cutucar. Deve ter alguma ordem pra cumprir. Eu não sinto a sua falta, minha linda.
Vá embora o quanto antes e não mande notícias.
Não me procure nunca mais.
Adeus.
Eu menti.
"Ah, meu amor, meu peito ainda bate pela certeza - meio incerta - de que um dia tudo passa."
"Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a idéia da alegria." (Caio Fernando Abreu)
"Você pensa que nunca vai esquecer, e esquece. Você pensa que essa dor nunca vai passar, mas passa. Você pensa que tudo é eterno, mas não é." (Clarice Lispector)
Boa tarde! Boa noite! Só durante as minhas manhãs é que você ainda me deixa tranquila, ainda fica longe de mim. Deveria te agradecer por isso? Obrigada! Eu já não sei mais se você ainda existe ou se é a parte masoquista de mim que ainda quer te ter por perto. Acho que eu gosto de como arde, de como estala, arranha e piora. Ou melhor, eu gosto de como dói. Estranho isso, né? Desculpa!
Eu não sei qual é a parte mais engraçada guardada nessa sua casca, não sei se é a parte que envolve outras pessoas e do que as outras pessoas fazem e de como elas não se importam nem de graça com você e comigo tendo você ou a parte minha mesmo, a parte da minha maluquice total, da minha infantilidade e dificuldade de evoluir, esquecer, superar.
É, talvez o problema seja todo meu. Acho que você já me disse isso, não disse? "Ou, o problema é todo seu." "O problema é que você não esquece." "Não me lembro de você, quem é?" "Não acredito que ainda está aí esperando que eu vá embora, todo esse tempo."
Talvez eu tenha me perdido em uma parte da linha do tempo, tenha estacionado uma área na minha vida. Estacionado? Não, pisado em um buraco bem fundo que eu não sei mais como sai, mas eu tento. Juro.
Talvez eu esteja aqui mentindo, querida. Estou mentindo pra você. Na verdade, você é a minha saída, minha desculpa. Na verdade, eu estou fingindo ou só dizendo palavrinhas e no fundo bem fundo eu é que não ligo. Inventei. Sou criativa. Inventei. Criei uma suposta cicatriz e eu sou uma gênia. Tão gênia que eu inventei tão bem inventado que não sei desinventar.
Não entendeu? Você é muito lenta. Desculpa! Eu acho.
Ah, quase me esqueço o que eu ia lhe pedir. Gostaria que você avisasse aos seus coronéis, aqueles dois que antes eram um e se dividiram em dois, que quando eles quiserem eles podem a levar de volta ou me matar de vez. Irônico. Sabia que a segunda parte do seu senhor ainda diz que me considera? Eu sei. Eu sei. Você já me disse que eu que quis assim, mas nada é bem assim. Nada é bem assim. Na verdade, eu espero ainda por esses dias que os seus coronéis resolvam lembrar de mim, lembrar da minha humilde existência, ou talvez lembrar de você, lembrar que você ainda está em mim. Espero que se lembrem que ambos um dia disseram que eu valia ao menos um níquel em seus bolsos e que hoje só mostram que os seus bolsos sempre estiveram cheios de si e não havia nem ao menos um pedaço de mim. Espero que se recordem que me trituram e me afundam agulhas a cada gesto e se não podem deixar de fazê-los, pelo menos os escondam dos meus olhos. Diga a eles que eu espero que ambos fiquem bem longe do meu coração, já que não deixo-os longe do meu sorriso e das minhas conversas. É. Eu tenho agido indiferente, mas no meu coração só há você, minha querida. Não resta nem mais uma gota de um ou de outro.
Não quero tomar muito o seu tempo, você deve ter alguma parte de mim para cutucar. Deve ter alguma ordem pra cumprir. Eu não sinto a sua falta, minha linda.
Vá embora o quanto antes e não mande notícias.
Não me procure nunca mais.
Adeus.
Eu menti.
"Ah, meu amor, meu peito ainda bate pela certeza - meio incerta - de que um dia tudo passa."
"Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a idéia da alegria." (Caio Fernando Abreu)
"Você pensa que nunca vai esquecer, e esquece. Você pensa que essa dor nunca vai passar, mas passa. Você pensa que tudo é eterno, mas não é." (Clarice Lispector)
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Inconstante constância.
Querido amigo,
Tenho vivido em muitas inconstâncias esquisitas, as vezes vejo umas coisas relacionadas a algo e tenho certeza de que aquilo ou aquele alguém não é o que eu quero, mas minutos depois vejo outras coisas de um lado diferente do mesmo algo e torno a mudar de opinião e penso que aquilo ou aquele alguém é que é o eu quero. É óbvio que tudo tem diferentes lados e se eu não gosto de um, talvez me simpatize com o outro, mas é muito ruim ficar mudando de ideia quanto as coisas só porque passei a olhar com outros olhos. Queria ser decidida, sabe? Queria ter certeza sobre tudo, queria não ter um "ah, mas, agora falando desse jeito... até é interessante!" Eu sei também que tudo isso é fruto da idade, a temida adolescência que tanto os meus pais me contaram, nunca acreditei mas agora vejo que ela realmente tem uma influência nas minhas ideias e opiniões variantes.
Adoro quando se importam comigo, quando dizem que estão preocupados e quando ficam me perguntando as coisas a fim de saber se está tudo bem, mas noutro dia eu gosto quando mudam de assunto e tentam ser alegres a fim de me fazer rir. Este ou aquele dia eu posso estar interessada em complicações e assuntos profundos e cheios de nós, talvez naquele outro eu esteja a fim de algo bem simplificado e longe de nós. É assim que tem sido. Hoje eu quero dar toda a minha atenção pra você e amanhã eu quero dar toda a minha atenção pra ele. São duas coisas completamente diferentes e é justamente o que de mais diferente elas tem é que eu gosto. Então, como faz pra gostar de duas coisas tão diferentes? Eu é que vou saber? Ah, mas as minhas inconstâncias não se resumem a isso não, elas são diversas e me deixam levemente irritada comigo mesma, mas no fundo acho até engraçado. Só tem uma coisa que eu sou constante, as coisas que eu acredito nunca mudam e são sempre constantes no meu coração. O impacto que elas e Ele tem sobre a minha vida e como eu sei que Ele mudou a minha vida significativamente só eu sei. Ta aí, não sou completamente inconstante. Ainda não sei exatamente o que eu vou fazer desse meu probleminha, mas eu prometo que não farei dele um grande problema. Prometo ignorar ele na maioria das vezes e fazer o que eu achar mais certo sem me preocupar de mais com esses pequenos obstáculos, porque vou ser feliz, não é? Por agora só preciso que você me entenda, amigo. Preciso que você diga que não há nada de mal mudar de ideia em minutos, ou melhor, na velocidade de pequenos gestos ou algumas palavras. Só me diga que está tudo bem e que eu não sou má por cometer tal confusão comigo e com os outros.
Obrigada.
De um coração confuso.
"Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonhos demorados quanto minhas insônias insuportáveis." Caio Fernando Abreu
Tenho vivido em muitas inconstâncias esquisitas, as vezes vejo umas coisas relacionadas a algo e tenho certeza de que aquilo ou aquele alguém não é o que eu quero, mas minutos depois vejo outras coisas de um lado diferente do mesmo algo e torno a mudar de opinião e penso que aquilo ou aquele alguém é que é o eu quero. É óbvio que tudo tem diferentes lados e se eu não gosto de um, talvez me simpatize com o outro, mas é muito ruim ficar mudando de ideia quanto as coisas só porque passei a olhar com outros olhos. Queria ser decidida, sabe? Queria ter certeza sobre tudo, queria não ter um "ah, mas, agora falando desse jeito... até é interessante!" Eu sei também que tudo isso é fruto da idade, a temida adolescência que tanto os meus pais me contaram, nunca acreditei mas agora vejo que ela realmente tem uma influência nas minhas ideias e opiniões variantes.
Adoro quando se importam comigo, quando dizem que estão preocupados e quando ficam me perguntando as coisas a fim de saber se está tudo bem, mas noutro dia eu gosto quando mudam de assunto e tentam ser alegres a fim de me fazer rir. Este ou aquele dia eu posso estar interessada em complicações e assuntos profundos e cheios de nós, talvez naquele outro eu esteja a fim de algo bem simplificado e longe de nós. É assim que tem sido. Hoje eu quero dar toda a minha atenção pra você e amanhã eu quero dar toda a minha atenção pra ele. São duas coisas completamente diferentes e é justamente o que de mais diferente elas tem é que eu gosto. Então, como faz pra gostar de duas coisas tão diferentes? Eu é que vou saber? Ah, mas as minhas inconstâncias não se resumem a isso não, elas são diversas e me deixam levemente irritada comigo mesma, mas no fundo acho até engraçado. Só tem uma coisa que eu sou constante, as coisas que eu acredito nunca mudam e são sempre constantes no meu coração. O impacto que elas e Ele tem sobre a minha vida e como eu sei que Ele mudou a minha vida significativamente só eu sei. Ta aí, não sou completamente inconstante. Ainda não sei exatamente o que eu vou fazer desse meu probleminha, mas eu prometo que não farei dele um grande problema. Prometo ignorar ele na maioria das vezes e fazer o que eu achar mais certo sem me preocupar de mais com esses pequenos obstáculos, porque vou ser feliz, não é? Por agora só preciso que você me entenda, amigo. Preciso que você diga que não há nada de mal mudar de ideia em minutos, ou melhor, na velocidade de pequenos gestos ou algumas palavras. Só me diga que está tudo bem e que eu não sou má por cometer tal confusão comigo e com os outros.
Obrigada.
De um coração confuso.
"Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonhos demorados quanto minhas insônias insuportáveis." Caio Fernando Abreu
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