sábado, 7 de fevereiro de 2026

Retrospectiva 2025: O primeiro ano inteiro de distancia

 Vamos ser realistas e dizer que estamos melhores que o ano passado, afinal, avançamos só um mês e 7 dias desde a virada do ano. Segue uma foto de setembro de 2025, relembrando a saída do verão.

Começando de janeiro do ano passado, nós estavamos ainda recém começando a dormir novamente depois de uma difícil adaptação da Clarice com o fuso daqui, que eram 4h de diferença pro Brasil e desde o voô enfrentamos muitas dificuldades no sono dela. Os passos foram a gente migrar pra dormir na sala, ela no nosso quarto no berço portátil e Cecília no quarto delas. Depois que tudo se reestabeleceu, Clarice voltou pro quarto delas e nós finalmente tivemos quarto novamente. Esses dias de privação de sono somados a tudo novo na mudança foram difíceis. Como eu disse no outro texto, Deus levou pra si um bebêzinho muito aguardado por Huganita logo no início do ano e passamos o primeiro mês do ano também lidando com essa dor. A medida que os meses foram passando, a luz começou a aparecer e eu entendi o que todos diziam quando falavam "daqui pra frente só melhora" quando estávamos em Dezembro. Realmente melhora muito depois do solstício de inverno e após o natal, vimos a cada dia ganharmos mais minutos de luz. Fevereiro foi um mês particularmente cheio de sol, o que fez nós aproveitarmos muito com nossos amigos Ventura, que foram essenciais pra nossa adaptação aqui. Rafael, Heloísa, Oliver e Joaquim estiveram com a gente até o dia 28 de fevereiro, já está quase fazendo 1 ano e eles até hoje são falta sentida. Tivemos muitos dias indo jantar na casa deles, comendo sanduíche, revezando corrida juntos e levando crianças pro parquinho. Acho que foi importante pra nós o fato de não termos passado o nosso primeiro inverno trancados em casa, ainda mais num apartamento tão pequeno. Tudo isso graças ao ânimo deles de passear, picnic, corrida e parquinho. Tivemos alguns dias de neve nas primeiras semanas do ano também. 

Em março, fomos nos adaptando a rotina sem os amigos, eu segui indo todos os dias pro apen barnehage com as meninas, me forçando a falar inglês e me adaptando a igreja e indo também aos estudos bíblicos na casa da Lucy, onde fui muito abençoada. Comecei a ser prayer partner com a Rachel e nossa amizade começou num café em janeiro de 2025 e se mantém firme até hoje, nos falando quase todos os dias. Aliás, uma pausa para relembrar e agradecer como Deus proveu amizades nesse ano de mudança: irmãos da igreja que nos ajudam Rachel e KP, Jeff e Marielle, Camila e família, até amizades no apen barnehage foram feitas como a Karoline e o Jeijum. Eu realmente espero no Senhor que essas amizades sejam fortalecidas porque é por causa delas que sinto como possível continuar tão distante da família, consigo enxergar como esses amigos podem se tornar família um dia e eu realmente oro e peço ao Senhor para que sejam. Essa família que temos aqui permite que compremos pouquissimas roupas pras meninas, vivamos de forma bem economica pra nossa realidade e sejamos muito muito abençoados nas pequenas coisas. Nossa rotina foi basicamente sair de casa todos os dias para o barnehage e voltar, entre idas e vindas com dificuldades com sonecas da Clarice.

Em Abril, fui ao retiro de mulheres e foi a minha primeira noite dormindo fora de casa, o que foi uma madrugada agitada pro Iury já que Clarice mamava por volta das 5h da manhã. Logo após Iury ter passado alguns dias viajando a trabalho pra Escócia e eu sozinha com as meninas. Fui de Carona com Marielle e também dividimos quarto. Foi um tempo de calmaria, paz e onde pela primeira vez senti meu inglês fluir com naturalidade e confiança, sem tanta exaustão depois. Lá eu dividi algumas das minhas ansiedades sobre o não planejamento dos próximos passos e os meus medos em quais decisões tomar. Eu fui conduzida a decidir que meu próximo passo seria aprender norueguês e que, a partir dessa meta, novos planos poderiam ser criados. Mais ou menos por essa época também soubemos da chegada de mais um bebê pro Huganita e esse foi tema de muitas orações. No mês de abril também Clarice completou seu primeiro ano de vida (e que vida diferenciada essa garotinha está tendo, quantas aventuras em um ano!). A essa altura ela já andava tranquilamente e aprontava (E se aprontava!). 

Em Maio, logo no início, viajamos a Paris (que ano diferenciado, como eu disse!) e encontramos com meus pais e matamos os 6 meses de saudade que nos pegavam. As meninas logo se adaptaram normalmente a presença deles e tivemos dias gostosos perambulando pela torre eiffel a uma temperatura agradável com apenas um casaquinho fino. A essa altura, maio já trazia um calorzinho que eu não tinha expectativa de viver aqui e dias muito iluminados. Os dias com meus pais aqui foram ótimos, mas também com mais demandas para administrar. Saúde deles, adaptação deles ao fuso, roupas, temperatura, cuidados e comidas. Fizemos a comemoração do aniversário da Clarice junto com eles e foi um dia bonito, em que era possível usar apenas roupas leves e crianças brincarem ao ar livre. A essa altura quase não viamos mais o dia escurecer. A casa era pequena e difícil de administrar. Nesse momento do ano eu já estava ficando muito incomodada com a casa em que estávamos, já que não era muito adequada pra receber pessoas e consideravelmente pequena pra nossa família. Sem contar, é claro, com o banheiro na cozinha. Ressurgiu um assunto que rolou no carro na volta do retiro, a possibilidade de um novo apartamento pra morar e no bairro que sonhamos uma vez ao visitarmos em janeiro.

Em junho e julho, muitas coisas, como o apen barnehage, estão fechadas e tivemos que reorganizar os nossos dias, mas o fato de estar "calor" e ser possível pras crianças brincarem no quintal tornou tudo mais fácil, teve piscina, patinete, jardim. Ah, isso tudo só aconteceu porque teve a mudança também em junho. O novo apartamento se mostrou muito melhor que o anterior, sou grata porque Deus nos deu essa oportunidade, insistimos e tivemos coragem de seguir com a tentativa de mudança mesmo quando em nosso coração já estava sem previsão alguma de mudar de apartamento, já que precisavamos juntar dinheiro. Os novos vizinhos e donos da casa, moram em cima de nós e nos respeitam e são muito agradáveis, como amigos. A gente tem uma área externa (algo impensável na casa anterior) e até espaço pra plantas. O nosso quarto ainda é bastante pequeno e nosso espaço para armazenar roupas é restrito demais, porém tem sido possível administrar e precisamos ser sábios com relação a quantidade de coisas que temos. A próxima meta que parece distante é o dia que conseguiremos comprar uma casa, por enquanto sem nenhuma expectativa. Durante o verão, recebemos a Ingrid e o Phillip, nossa primeira visita na casa nova.

Depois, em Agosto, Cecília teve seu primeiro dia de aula no barnehage no Nymansvein, a adaptação foi fácil e tudo correu bem. As professoras eram queridas e Cecília não parece demonstrar incomodo por não ser entendida ou por não falar o idioma. Definitivamente os meses juntas em casa nos adaptando juntas ao novo país foram cruciais e fez ela entender que todos nós estamos aprendendo e que eles também não falam nossa lingua, assim vejo que ela não se sente "menor" por não conseguir se expressar algumas vezes. O aprendizado dela foi rápido e a cada dia ela sabe se comunicar melhor, em 3 meses ela já consegue expressar tudo que precisa na vida cotidiana e entender as instruções, embora ainda precise aumentar o vocabulário e conhecer mais palavras. Em outubro ela mudou para o Valandshaugen já que nós agora haviamos nos mudado, no começo tivemos receio da mudança, mas após algumas semanas de adaptação, certamente foi o melhor a ser feito e facilitou muito nossa vida, principalmente com o inverno.

Em Setembro eu tive minha primeira triste mais forte de tristeza por estar aqui, de reparar o quanto tudo demandava tanto esforço e o quanto as vezes eu só estou cansada de continuar tentando. Deus aos poucos foi dando clareza de que é um passo de cada vez que se caminha e que eu preciso ser paciente pra esperar nEle, já que Ele não nos abandona e nunca nos abandonou. fomos a Londres por uma semana, encontramos a Andressa, a primeira amiga que veio nos visitar, foi muito bom tê-la também aqui por 1 semana inteira. Juntas eu vi pela primeira vez a aurora boreal, um dia antes do meu aniversário, foi uma incidência forte inesperada pra época do ano e realmente me relembra o quanto há de bonito pra viver por aqui, apesar de frio, certamente um país de muitas belezas tão diferentes pra mim.

Outubro e Novembro trouxeram boas doses de adaptação, já que com a nova casa, o novo barnehage, o deslocamento pro apen barnehage parou de ser tão trivial, inicialmente por bicicleta e mais recentemente está acontecendo basicamente de carro. Esses meses também tiveram boas doses de chuva e início do frio. Não me lembro ao certo mas em um desses meses iniciei reuniões aqui em casa para falarmos do evangelho e estudamos um material chamado "alpha course" juntas, tem sido abençoador e requerido de mim resiliência pra entender onde Deus quer que eu esteja e que nem sempre os resultados serão avassaladores e incríveis, porém sempre é valioso servi-lo. Com relação ao serviço, Iury toca no louvor e eu no ministerio infantil lidero minha turminha. Cecília faz o Awana e lá comecei como assistente toda semana e agora como líder a cada duas semanas. A essa altura já estou muito confortável com falar inglês e não fico mais ansiosa pra encontros ou com receio de ler em voz alta, já me é muito natural as vezes errar e seguir com naturalidade. Acho que finalmente alcancei a fluencia simples por volta de junho, cerca de 6 meses após nos mudarmos.

 Logo no início de dezembro fomos a Amsterdam encontrar os meus pais e passamos quase um mês juntos, surpreendentemente a Clarice logo pode chama-los de "vovô", nós acabamos ficando mais em casa dessa vez porque dezembro é mais frio e com mais chuva. Ainda assim, tentamos sair, ir ao centro, ver as decorações de natal e passear pela vizinhança. Dessa vez, a adaptação deles foi bem mais fácil e ouvi menos reclamações. No natal, tivemos Lucas e Roberta e seus pais, um natal com a casa cheia e muita comida, que diferente do ano anterior. Igualmente o aniversário da Cecília recheado de amigos, até da escola, que diferença pro bolinho na sala com duas famílias no ano anterior. Ela aproveitou muito, eu fiz o bolo "que ela queria" e a festinha foi simples mas bem norueguesa, com nosso toque. Meus pais foram embora no dia primeiro de janeiro e confesso que dessa vez foi mais dolorido, chorei ao jogar fora o café, chorei a cada cheiro do meu pai pela casa, chorei ao lavar toalhas. Não sei o que houve, mas sei que isso mostra que foi bom. Acho que também pesa saber que não temos perspectiva de irmos ao brasil como gostariamos, devido as passagens mais caras e a um problema com as taxas daqui que tivemos, além de eles não terem perspectiva de virem tão cedo. A cada vez que Cecília diz ao telefone "quando vocês chegarem em dezembro eu faço isso" e eu sei que não é algo que provavelmente vá acontecer, eu sinto a dor.

Janeiro e inicinho de fevereiro tem sido até aqui incrivelmente ensolarados e como no ano passado, o aumento da luz torna tudo mais fácil. Meu aprendizado com noruegues tem evolúido muito, eu comecei o curso no IMI em setembro direto no A2 mas não devo a isso, talvez pelas conversas no apen barnehage, a ajuda de todos do staff, as aulas de barselnorsk que lá começaram (como um presente de Deus pra essa mãe que decidiu passar mais tempo com a pequenininha E se dedicar pro aprendizado de um novo idioma com afinco) e os sprakkafes que tenho participado. Quanto a isso, ainda me restam inseguranças e frustrações, muito que não planejo e não tenho como planejar, mas hoje eu já consigo ir em lojas e lugares e entender e ser entendida (ainda me frusto, mas muitos dias saio contente). Deus a cada dia me relembra que não é e não será no meu tempo. Quanto a isso, me candidatei a algumas vagas de emprego ainda sem respostas e sigo orando para que Deus possibilite que visitemos o Brasil esse ano, mesmo sem enxergar possibilidades. Mas, tudo até aqui tem sido não enxergando o próximo passo, por isso, seguirei orando. Sobre 2026, Catarina nasceu dia 6 de janeiro, Cecília começou aulas de hockey em janeiro e muito me gera curiosidade sobre como isso se desenrolará ao longo do ano. Até tivemos lagos congelados esse ano e muitos dias de sol pra aproveitar.Vi a aurora vermelha dessa vez, no dia 19 de janeiro junto com a Camila, na véspera do seu aniversário.

Que o Senhor abençoe cada um que viermos a encontrar e conhecer esse ano, que Ele nos dê paz pra descansar no seus planos e principalmente fé para não duvidar ou ter medo.