segunda-feira, 18 de julho de 2011
P R E G U I Ç A
Há 2 segundos atrás eu estava imersa na preguiça de começar a escrever esse texto. Eu realmente acho que sofro de sérios problemas com relação a isso, ultimamente tenho andado com preguiça de ter preguiça. Acordo de manhã com preguiça de abrir olho e continuo com eles fechados até ficar com preguiça demais de força-los a se manterem fechados e os abro, depois só levanto quando estou com muita preguiça de permanecer deitada. É sério. Tenho preguiça de me importar com as coisas e sempre quando me dou conta que perdi alguém ou algo, eu me faço lembrar das vezes que tive preguiça de guardar no lugar certo, preguiça de ligar pra ver se estava tudo bem, de sair de casa pra encontrar ou sair da cama e procurar. Tento não gostar muito de nada para não ser obrigada a lutar contra a minha preguiça e ter que sofrer as consequências disso. Por isso eu sou assim cheia de vontades, cheia de desejos que não se concretizaram, eu acumulo minhas vontades que não foram grandes o suficiente para superar a minha preguiça. Tenho vontade de comprar algumas coisas, mas tenho preguiça de me esforçar para consegui-las. Queria fazer intercambio, ser mais amável e demonstrar mais o meu amor. Vontade de aprender francês e turco, de sair mais, de te ver mais e ler mais. Adoraria dizer para as pessoas que me irritam o quanto elas me irritam, decorar melhor o meu quarto e fazer novos amigos. Contudo, a preguiça me faz querer chamar os meus velhos amigos para a minha casa por preguiça de conhecer novas pessoas e de sair de casa. Ela me faz nem estudar pro inglês e nem me aplicar em outras línguas, me faz deixar o meu quarto como está e nunca conseguir te ver. Me faz ter só o que a minha mãe compra e permanecer sempre com as velhas coisas. Nunca falo o que me irrita em algumas pessoas porque tenho preguiça de me importar o suficiente e talvez por isso não seja também tão amável com quem eu amo. Não leio tanto quanto eu quero, não me aplico tanto em fazer algo que eu gosto e talvez só esteja escrevendo ainda por preguiça de terminar o texto. A parte mais controversa disso tudo é que só quando saio da minha "zona da preguiça feliz" e vou fazer algo que eu realmente quero é que sou mais feliz, ou seja, eu sei que se eu martelar a minha preguiça e tranca-la dentro de uma caixa e for atrás das minhas vontades eu vou me divertir mais e me sentir melhor, mas não é assim que funciona. Na minha pequena cabeça, a vontade só é grande o suficiente quando é maior do que a minha preguiça e acredite que há algumas coisas que já ganharam da minha preguiça sem nem precisar entrar na luta, então eu concluo dizendo que a minha querida preguiça é muito grande, mas não grande o suficiente para que não possa ser superada.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Ninguém me venha dar vida.
Ninguém me venha dar vida,
que estou morrendo de amor,
que estou feliz de morrer,
que não tenho mal nem dor,
que estou de sonho ferida,
que não me quero curar,
que estou deixando de ser
e não me quero encontrar,
que estou dentro de um navio
que sei que vai naufragar,
já não falo e ainda sorrio,
porque está perto de mim
o dono verde do mar
que busquei desde o começo,
e estava apenas no fim.
Corações, por que chorais?
Preparai meu arremesso
para as algas e os corais.
Fim ditoso, hora feliz:
guardai meu amor sem preço,
que só quis a quem não quis. Cecília Meireles.Apresento à vocês o meu poema favorito ever. Desde a infância
que estou morrendo de amor,
que estou feliz de morrer,
que não tenho mal nem dor,
que estou de sonho ferida,
que não me quero curar,
que estou deixando de ser
e não me quero encontrar,
que estou dentro de um navio
que sei que vai naufragar,
já não falo e ainda sorrio,
porque está perto de mim
o dono verde do mar
que busquei desde o começo,
e estava apenas no fim.
Corações, por que chorais?
Preparai meu arremesso
para as algas e os corais.
Fim ditoso, hora feliz:
guardai meu amor sem preço,
que só quis a quem não quis. Cecília Meireles.Apresento à vocês o meu poema favorito ever. Desde a infância
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Na estrada rumo ao refúgio.
Um refúgio é onde se sente totalmente seguro, sem armas e sem objetos cortantes. Neste lugar se pode fazer o que gosta exatamente quando quiser. É como se estivesse cercado pelos seus objetos favoritos, seus livros e seus filmes. As suas séries preferidas, o seu cachorro. Não é necessário seguir ordens de ninguém, é como se precisasse respirar e viver. É calmo. É exatamente o que eu preciso durante essa semana, esse mês. Não precisa mentir, não tem risco de magoar ninguém. Não há ninguém que possa te machucar, eu prometo. Não precisa ligar a luz, se não quiser, mas pode deixa-la ligada se preferir. São as melhores músicas que estão tocando e não tem como enjoar delas. São os melhores filmes e eles nunca acabam, é todo dia uma história nova. Pode estar acompanhado, se assim melhor.
Pode também estar em uma praia, em uma montanha. Não precisa ser assim, pode conhecer gente nova, pode simplesmente mudar de cidade. A vida continua sendo a sua vida, os princípios continuam sendo os seus princípios. Continue acreditando no que acredita, isso é só uma fuga da rotina, das pessoas, das doenças e das feridas. É a sua vida, são as suas coisas do jeito que você quiser.
Há um problema apenas, este lugar existe somente dentro de você. Talvez isso não seja um problema, talvez assim seja mais fácil, porém, você não pode ficar lá todo o tempo, talvez nem possa ficar o tempo que você acha que é necessário. Mas continua sendo bom, é bom fechar os olhos e estar lá de vez em quando. Quando tá difícil de aguentar, ir pra lá pode te ajudar a se sentir melhor, pode te fazer mais forte ou mais fraco.
Tenho um refúgio, só preciso aprender como usa-lo de um jeito melhor. Por isso, estou dando um tempo. Estou cansando, estou me deixando sumir. Quero afundar um pouco, me tornar melhor, superar o que me parece insuperável e pra isso não quero a ajuda de ninguém, quero fazer sozinha. Conto com Deus e mais poucas pessoas que entenderão pra onde eu estou caminhando. Estou caminhando. Talvez não fuja ainda, mas aos poucos eu estou indo. Não sei se depois disso voltarei a ser como era, mas serei melhor. Espero que doa menos, por isso eu viverei mais. Isso não é triste, por favor. É incrível, estou no caminho certo. Não é necessário nenhuma preocupação, quando eu conseguir, tudo estará funcionando. Não me pergunte o que me fez querer isso, não precisa saber. Está bom assim, melhor do que eu pensava. Algum dia as feridas estarão curadas e o processo concluído, mas enquanto isso... me procure em outra esquina, em outro lugar. Estarei pegando a primeira estrada para a terra de não sei a onde, me refugiando pelos cantos e procurando cavernas. Não se assuste, só Deus sabe o que está por vir.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Descobri uma maneira agradável de esquecer uma tempestade de doenças que ultimamente tem andado dentro da minha cabeça. Estas doenças no futuro irão se alastrar pelo meu corpo e eu sei disso. Doerá mais, eu sei. Por enquanto, elas não me afetam porque nada puderam corroer ainda. É, tudo isso parece tão triste e eu juro que não quero escrever sobre coisas tristes, sei como parece que as pessoas, mesmo que felizes, estão sempre a escrever tristezas. Acredito que seja mais simples até. Contudo, duas pessoas se lessem entenderiam exatamente do que estou falando. Nem sei o que estou escrevendo, são só palavras censuradas e meio ditas ou meio escritas. Nada certo, tudo pela metade. Então, descobri maneiras de esquecer. Aprendi a fazer sopa de batata e amigos me fazem não pensar no que não quero e no que virá. Vou arrumar um animal de estimação, um amigo novo e um hobby. Vou cobrir todas as lacunas de tempo com qualquer coisa. Cada vez fica mais claro que a melhor maneira é me ocupar com novidades, mas consegui esse presente logo durante as férias, logo no momento que fico mais com a mente "vazia" e sem nada pra fazer. Que mágico! É maravilhoso parar agora e só conseguir pensar nos momentos bons que o dia de hoje teve, mas não sei se o resto dos dias no hospital serão assim. Viverei minha própria vida como num pronto-socorro e deverei me livrar das minhas doenças como fiz no dia chuvoso, sentando na estação e esperando que pudesse respirar e não mais queimar. Será assim todos os dias? Quando os convites vierem e eu tiver que recusar, será assim? eu estou me preparando pra sentir constantemente aquilo. Aquilo que só eu entendo como foi. Sem pensamento positivo. Me cansei disso. Está começando a doer de novo, então voltarei ao status "esquecer". Sopa de batata. Legume. Cortar cebola. Cozinhar. Preparar. Evitar. Esquecer. É assim.
“Há feridas que nunca curam, apenas se esquecem de doer” Fabrício Carpinejar
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Respire fundo, e
Não sei se já teve chance notar o movimento que os seres fazem quando estão respirando, aquele suspiro mais disfarçado, sem chamar muita atenção. Pode ser que nunca tenha dado muita importância para isso, mas eu sempre gosto de reparar como as pessoas fazem isso. Isso mostra o quão vivos nós estamos, penso que sempre que eu posso reparar com calma nessa respiração eu relembro que estamos vivendo, todos nós estamos. Esses dias eu olhei para uma pessoa por quem tenho desenvolvido um apresso muito grande nos últimos dias, de um jeito estranho eu adoro quando posso ficar a observando e eu pude vê-la respirar, isso me fez chegar tão perto. Tão perto como eu nunca antes havia chegado, fez me lembrar que é um humano como eu. Fez-me mais próxima, mais parecida, senti pela primeira vez que temos algo em comum e foi tão bom. Todos nós temos algo em comum, todos nós respiramos uns melhor e outros pior, todos nós fazemos de forma involuntária o mesmo movimento, isso não te faz mais meu e eu mais sua? Estamos juntos dentro de um mesmo lugar, estamos todos vivos. Compartilhamos de uma mesma dádiva, compartilhamos a vida. Isso já devia ser o suficiente para nós amarmos mais.
Dentro dessa vida que nós compartilhamos, há um pacote de sentimentos nela contidos. Todos nós os sentimos, não consegue ver? Não consegue ver que assim como eu e você aquela pessoa que você riu ou maltratou sente tristeza também? Você sabe exatamente onde dói e como dói e tenha a certeza que os outros sentem isso também. Isso deveria ser o primeiro passo para nos fazer querer o bem dos outros, assim como desejamos para nós. "Ama ao teu próximo como a ti mesmo." Isso com certeza faz mais sentido agora.
Não digo para cultivarmos a nossa indulgência e vivermos para relevar erros dos outros e no fundo estar com mais raiva no sangue do que qualquer outra coisa. Digo para pensarmos em como queremos ser tratados e agir dessa forma com quem cruza conosco nas ruas, na vida. Apoio a ideia de tentar ao máximo controlar os nossos instintos de julgar as pessoas - eu sei que você assim como eu tem também. Tente não se ver como superior, já que tudo o que nós somos é uma espécie de poeira miúda que é facilmente levada com o vento e logo passa, não somos melhores. Iguais, eu diria. Pelo menos temos potencial para sermos iguais, há os que melhoram e os que caem, porém, todos começam com uma chance. Todos começam sendo iguais, já que compartilhamos do mesmo mundo, a vida. Todos fazem a mesma atividade, a mesma atividade todos os momentos, todos nós vivemos e não fazemos isso para passar o tempo, fazemos isso o tempo todo.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Pertencem ao vento.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Desaguar dias memoráveis.
Antes fosse, antes eu me sentisse agora como aquele dia. Sei que toda essa história de dia mais feliz na vida é tudo bobagem, dias felizes são tantos. É só que nesse momento eu queria que estar novamente em 08 de maio de 2009, mesmo eu sabendo o final da história, mesmo sabendo que não foram bons os meses depois disso, naquela noite eu me senti tão bem. A intensidade de tudo o que eu vivi naquele dia está se apagando cada vez mais na minha memória, já imaginava. Já imaginava e por isso não me dói, não me importa já que não preciso lembrar o quão foi intenso porque não pretendo comparar com outros dias, não pretendo sair medindo os meus dias para saber qual deles é o mais emocionante. Poderia também querer voltar a madrugada de 30 de janeiro de 2011, mais recente e mais vivo na minha memória. A simplicidade de tudo é o que faz tudo ser tão especial. Eu juro que percebo o quanto isso está ridículo, o quanto esse texto está nostálgico e sem sentido, mas, eu não ligo. Não me lembro quando eu perdi o bom-senso pra escrever e já nem estou mais me importando com se alguém irá ler ou se alguém irá entender. O último dia de qual citei mereceu uma lágrima no último momento antes de dormir, uma vontade louca de ignorar o cansaço e correr pelas árvores daquela chácara e dizer a todas elas o quanto agradecia pelo dia especial, de passar o resto do ano naquele dia com aquelas pessoas sorrindo por aqueles motivos. Mesmo sabendo que posso nunca mais tornar a vê-las e que com certeza nunca mais aquele dia irá voltar, eu fico feliz só de lembrar como eu me senti. Estou certa que nada que eu estou dizendo aqui fará com que eu retorne por completo a essas duas noites ou a muitas outras que não me vem a cabeça agora, mas, só em lembrar ou só em escrever sobre elas, eu já me sinto melhor. Aquele tremor dentro do peito implorando para que Deus não deixasse que aquilo acabasse, implorando para que aquela sensação fosse eterna e de certa forma ele me ouviu porque estou aqui agora e posso sentir boa parte e com certeza é eterno. Eterno enquanto minha memória se esforçar em funcionar. É assim que eu espero que seja com todas as outras coisas boas que virão. Quero desaguar essas migalhas de más lembranças em qualquer lugar bem longe do meu coração e quero sentir como naquelas noites todo o tempo, quero ser mais profunda porque assim em mim haverá mais espaço para essas lembranças, para os detalhes que eu não lembro, para aquilo que a minha mente designou como desnecessário e mandou embora, até isso quero. Até isso quero. Quero todos os detalhes para que quanto mais presente as recordações estiverem, mais meu coração estará lá também. Que se apaguem os dias ruins e os desprezíveis como este porque quero é mais espaço para outros, outros de fato memoráveis. Então será como em sonhos bonitos que eu acordo e me sinto como se tivesse acontecido, mas, a alegria será maior com a certeza que tenho que realmente aconteceu.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Não é como se eu precisasse de alguém que me entenda ou alguém que entenda o que eu preciso. Preciso de mim em mim mesma até que eu consiga sozinha entender o que exatamente eu estou procurando. Talvez nem seja isso, talvez o que eu estou procurando apareça antes mesmo que eu descubra que estava o procurando e assim me tornarei uma pessoa mais encontrável por mim e pelos que me vêem. E até que eu descubra ou que algo assim aconteça eu continuarei procurando o nada e encontrando muita coisa, esperando que alguma dessas coisas me aponte algo que procuro.
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