domingo, 27 de março de 2011

Non-sense. Dadaísmo

Café onde surgiu o Dadaísmo.


Eu sei o quanto pode parecer antiquado, fora de moda ou como preferir. Sim, estou aqui falando sobre um movimento artístico. O dadaísmo marca o início do non-sense, onde os seus adeptos produziam obras de arte sem nenhum equilíbrio, sem combinação e sem sentido. A falta de bom-senso foi o que levou-me a ser uma amante desse estilo. O que me falta de potencial artístico me sobra de vontade e de apreço pela arte em si. Sim, estou falando de poemas, quadros, esculturas e afins. Faço parte do lado sonhador da sociedade, eu pretendo um dia sair para uma viagem a fim de apenas tirar fotos e mais fotos e se possível integrar tais fotos ao lado dadaísta da força. Serão fotos portanto sem nenhum sentido, aquele tipo de coisa que não precisa de explicação. É exatamente assim que eu me vejo, completamente no-sense e que mal tem? Que mal tem se nem você mesmo se entende? Minhas falas as vezes soam como aleatórias, sem porquê e eu realmente não ligo, talvez um dia eu ligue e comece a andar por aí discursando como uma pessoa sensata, se é que existe pessoas sensatas porque eu realmente não acredito. Acredito que todos façam parte de uma história louca em que eles próprios são os protagonistas e ao mesmo tempo os antagonistas e isso acontece só nas nossas mentes. Ah, e claro que deve haver quem finja ser "normal" e quem vive a vida escola-casa-internet-namorado-amiga-shopping e se ache super complexa. Pelo amor, seria muito mais produtivo se vivessemos cercados de pessoas que viajam dentro de si e não precisem fingir ser alternativos ou diferentes já que todos nós já somos. Espero que um dia eu viva em um lugar sem mais coloridos, emos, pseudopunks, cocótas, playssons e essas coisas que gritam por aí que são diferentes, mas, no fundo o que eles fazem só os tornam mais iguais, coisa que não são. 
Enfim, no fundo eu só estou procurando palavras menos diretas para dizer que não procuro fazer sentido e nem pretendo, é muito digno ser assim. Me construo várias vezes e sempre de uma forma diferente, vivo várias fases e no fundo elas são todas iguais e representam o mesmo. Sou mil personagens e não deixo de somente eu mesma. Cada pessoa desperta em mim uma parte de mim, ninguém me conhece por inteiro, nem eu acredito que um dia irei me decifrar. O bom disso tudo é cada dia poder ser você mesmo de uma forma inteiramente diferente.




''Eu redijo um manifesto e não quero nada, eu digo portanto certas coisas e sou por princípios contra manifestos (...). Eu redijo este manifesto para mostrar que é possível fazer as ações opostas simultaneamente, numa única fresca respiração; sou contra a ação pela contínua contradição, pela afirmação também, eu não sou nem para nem contra e não explico por que odeio o bom-senso." Tristan Tzara


 "A obra de arte não deve ser a beleza em si mesma, porque a beleza está morta". Tzara


P.s: Tristan Tzara, O cara do dadaísmo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Memories of the past.



Vai andando pela vila e reconhecendo aquelas paredes e tudo o que você viveu ali parece correr pela sua cabeça - já sentiu isso? - sua infância, os amigos, seus primos e seus tios. Parece que está tudo no lugar, mas, você percebe que já faz tanto tempo que não vai ali, tudo parece tão passado... tão esquecido. Como um lugar pode guardar tantos cheiros? tantos sonhos? tantos sorrisos? A velha árvore do jardim onde sua bisa encostava os braços já não existe há tanto tempo, você não lembra quando tempo faz. A estante de livros do avô que você nunca conheceu, aqueles livros velhos que pareciam vir de um museu, aqueles que você costumava abrir e sentir o cheiro forte e desse jeito era tão fácil pensar que o conheceu, pensar que ele havia lido todas aquelas palavras difíceis e ele riu e chorou com elas, essa estante? Não está mais ali. No lugar foi posto uma televisão de plasma e tudo parece tão atual. Onde está a cama onde o gato do seu tio vivia deitado? Aquela cama onde você não sentava. Faz tanto tempo que aquilo tudo não está mais lá, tanto tempo que tudo está tão diferente... foi tão gradual que nem percebeu. Quanto tempo que você e a sua prima não dormem ali? Quanto tempo faz que aquela criancinha que dormia no quarto ao lado está em outro estado? Quanto tempo faz que o ar-condicionado ruim foi trocado por um novo. Da última vez que você foi lá, os livros do seu avô ainda estavam, você pegou um e nunca leu, nunca abriu. Você se lembra que estavam espalhados em algum lugar e os procura e não os acha, será que foi assim com todas as outras coisas? foram sumindo e sendo substituídas aos poucos?
As fotos fazem aquilo tudo tão mais concreto, a casa da sua vó não tem mais aquele cheiro, é tudo tão novo, tão moderno que perdeu a essência. O cocô do gato que sempre tinha no quintal, a bíblia velha no móvel da sala, o vinho no mesmo móvel, o móvel... Não tem nada lá.
Agora não adianta mais lamentar as mudanças, o que se pode fazer é tentar não perder as lembranças daquela infância, não perder aquele cheiro, não perder aqueles momentos, as brigas e as conversas. Tudo vai se modernizando com o tempo até o que você pensou que não iria, é, até mesmo isso. Você é capaz de lidar com isso? Creio que sim. Só peço que eternize esses momentos no coração, eternize tudo isso, de ruim e de bom, porque você sabe, não? Você sabe que irá crescer e tudo tende a mudar cada vez mais, talvez um dia não reste nem mais uma prova concreta, mas, a sua memória cuidará disso.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Paciência pra viver.

Quando você se importa demais, espera demais, ama demais, se entrega demais... nada como uma decepção pra fazer-nos aprender que se precipitar é sempre perigoso, seja na amizade, no amor ou na vida. Por que não esperar? Por que não ter certeza? A frase "a vida é feita pra viver, decepções só mostram que vivemos a nossa vida" não me convence, não me atrai. Prefiro viver com a certeza de que deu certo e que valeu a pena esperar por isso do que viver cheia de cicatrizes e feridas curadas e não curadas de algo que poderia ter sido evitado. Quando tiver duvidas se é mesmo o certo, é porque não é. Mas, quando for para acontecer, você terá certeza. Assim eu espero, eu não sei, mas, por enquanto, é assim que funciona pra mim.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Melhores e simples dias. [Férias]


Sair da rotina é essencial para se conhecer. Fugir dos problemas habituais... da casa, da escola e de se estressar, leva nos a lembrar de quem nós somos e o que somos quando estamos longe de tudo e vivendo novas situações. Nos últimos dias desse mês tive a oportunidade de conhecer tão pensados lugares e aqueles que nem eu mesma imaginava a beleza, mas, acima de tudo tive a grandiosa oportunidade de conhecer a mim. Pude perceber  o quanto é bom ouvir os lugares desconhecidos se apresentando, sussurrar "obrigado" para eles e realmente ficar agradecida. Mas, como eu farei pra agradecer a um lugar por me dar duas noites memoráveis da minha vida em momentos diferentes dela? O único jeito que encontrei foi aquela despedida silenciosa durante a noite com os olhos transbordando algumas lágrimas de saudade por antecipação e de agradecimento. Era só pensar que quando eu pegasse no sono a viagem teria acabado, tudo teria acabado e eu voltaria para a rotina normal. No avião eu disse meu último tchau aquilo tudo. Chegar em casa não foi tão terrível, voltar pra "minha vida" foi bom, o período que eu estive longe me fez perceber o quanto sou feliz e o quanto gosto do meu estresse, do meu cotidiano e dos meus dramas exagerados. Sair da rotina é bom, mas, voltar pra ela é melhor ainda.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

New year's eve.



Véspera de ano novo, o que você prefere? Nostalgia triste por tudo nunca mais voltar ou a lembrança feliz e saudável com a alegria por ter vivido mais um ano? Hm, eu responderia: os dois, portanto, usarei os dois pontos de vista. O ano de dois mil e dez foi incrível. Não há como eu duvidar disso. Vivi o meu primeiro dia de aula do ensino médio, fui caloura e já estou deixando de ser. Construí e reconstruí amizades. Eu reforcei os laços das amizades que já tinha. Aprendi a amar mais, suportar mais. Eu vivi aventuras inimagináveis. É, aventuras. Eu ri horrores, fiz besteiras. Coisas engraçadas e trilhões de palhaçadas. Cresci. Comecei, recomecei e terminei. Consegui me enrolar em cordas bem apertadas e embaraçadas. Desenrolei um mistério que estava guardado em mim havia ano. Eu chutei. Eu bati. Eu finalizei tudo. E comecei tudo de novo. Eu gritei com o meu travesseiro inúmeras vezes e quantas vezes eu chorei com ele também. Incontáveis foram as vezes que eu pulei, comemorei e gritei com o vento. Cantei. Virei a melhor cantora que dormia no meu quarto. Agarrei o microfone, digo, escova de dentes e cantei muito ao som da minha mente. Eu surtei. Mitei e imitei. Escrevi textos, escrevi livros só com o recurso da minha mente. E lá se foram abraços, muitas lágrimas e beijos. Fui a festas e dancei além do muito. Dancei sozinha e com elas. Dancei pelo quarto, pelas festas... pelas ruas do Rio de Janeiro, dancei comigo e com as mais variadas pessoas só na minha mente. Aprendi a gostar mais de sombra e batom e me maquiei, ah! fiz muito isso. Pra sair e pra ficar em casa tirando fotos. Eu fui a melhor festa da minha vida e fui a pior. Coloquei uma bebada bem mais velha pra dormir e ri horrores ao lado da minha prima pequena que já cresceu e como cresceu. E ela é minha eterna companheira. Estudei, ah.. estudei, mas, não o suficiente. Me senti a melhor pessoa do mundo e a pior... tantas vezes. Mudei de rotina completamente. Acertei. Chorei por bons motivos e chorei por motivo nenhum. Aprendi a perdoar mais. Me decepcionei vezes e mais vezes. Me decepcionei com pessoas que amava muito, mas, já esperava. E perdoei e aprendi. Acabei com a briga que eu mesma criei comigo mesma e nem faz tanto tempo isso. Errei e errei de novo. Eu abracei meu pai, beijei a minha mãe. Babei meus irmãos com muitos beijos e abraços. Senti falta. Tanta falta. Tirei fotos... aquelas fotos! As mais bonitas e as mais horríveis. Andei de avião e conheci lugares novos, pessoas novas. Quantas pessoas! Conheci amigos que sei que serão amigos sempre. Conheci mais os que já tinha. Perdi o mais querido e aprendi a conviver com isso. Superei dores e curei feridas. Ganhei novas feridas. Entrei pra academia. Morri de preguiça. Sofri influencias e influenciei. Fui verde, fui azul... até cinza. Beijei. Me enganei com muitas pessoas, de uma forma boa e ruim. Venci pré-conceitos e fiz amigos incomuns... pessoas que nunca imaginaria. Abracei. Eu senti. Reaprendi. Joguei fora e comprei. Vi meu sangue tantas vezes, adoeci e melhorei. Estive aqui e estive lá também. Fiz 15 anos, os tão esperados 15.
Tantas coisas que jamais serão esquecidas. Pessoas que eu sinto irão comigo pra sempre, eu sinto que é só o começo. Vivi o primeiro ano de quatro anos que me aguardam ao lado de algumas pessoas. Completei mais um ano de amizade. Matei sentimentos e conheci novos. 
Tudo isso não foi em vão... vivi as consequências e viverei ainda. Sem dúvidas amadureci. Sem dúvidas esse ano acabou. Tudo isso será guardado na pasta cujo nome é 2010. Acho que foi o melhor ano que vivi até agora e desejo que 2011 me surpreenda superando este. Quero lutar por ele. Quero lutar para que seja o melhor de todos os tempos. Quero merecer isso. Quero ter muito mais a agradecer, quero viver tanto! Quero mais aventuras, mais seriedade. Quero palhaçadas e muitos abraços. Só Deus sabe o que eu espero... não quero esperar demais, mas, desejo. É desejando que termino esse ano, já que falta menos de 1 hora pra me despedir de 2010 oficialmente e ainda não posso acreditar que já acabou. Tão rápido. Com certeza a última frase que escrevo nesse blog nesse ano será a frase que traduz o que esse ano foi pra mim: Novas experiências incluindo novas pessoas e novos lugares e é claro, novos aprendizados.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Letter for my worst love.

Venho por meio desta, entregar-lhe minhas palavras e meu tempo com o único intuito de mostrar o que nunca pude, e alerto-te que esta será a última vez que o faço. Última vez que lhe escrevo. Quem sabe a última vez que permito afundar-me neste passado. E se Deus for generoso com as migalhas do meu coração, a última vez que mergulharei nesses sentimentos. As primeiras epístolas que a ti foram endereçadas jamais puderam chegar ao caminho dos olhos teus e não estou certa se essa foi a melhor das minhas escolhas. Porém, já me perdoei de tantas escolhas erradas porque esta seria a que me condenaria? 
Estou certa que essas palavras, como muitas outras, também não irão chegar a ti e isso não me aflige, não me perturba. Por muito tempo acreditei que eu tivera sido a errante de nossa conturbada história de "amor" - como me dói ligar essa palavra a você -, por muito tempo senti-me culpada e humilhada por ter estragado o que me parecia tão bom. Por muito tempo entreguei-lhe todos os pedaços do meu coração a ti, estive de joelhos tentando juntar tudo o que me restava de você. Olhei pra você com os olhos mais gentis, mais amáveis, mais ternos. Desejei um sorriso teu tanto quanto desejava que meus pés andassem. Me abracei a memórias tuas com todos os músculos das minhas pernas, braços e olhos. Com todos os destroços de coração. Por muitas vezes eu acreditei que pudesse voltar, pudesse olhar pra mim com aqueles olhos novamente. 
Enquanto isto fazia, eu ouvi cada causo seu, cada história sua, cada risada sua sem me importar de que você estivesse falando de outras mulheres, falando de outros sorrisos. Só o que me importava era o prazer de ouvir sua voz, de saber que confiava a mim os seus segredos. Me acorrentava a um sentimento imundo e tolo de saudade, deixava que ele tomasse conta do meu coração e acabasse com o resto da vida que ele tinha. Permitia que ele destruisse as minhas noites, fuzilasse a minha mente. O meu grito de dor só cessava quando ouvia a sua voz chamar por meu nome, quando sentia seu abraço e o seu beijo na testa. E a sensação de felicidade me comia, me tomava. Quando tudo isso acabava, era o fim de toda aquela falsa felicidade. Eu voltava a contorcer-me em mim mesma e os meus poros voltavam a suplicar para que você voltasse. Tudo isso ninguém via, ninguém ouvia os meus olhos gritarem o seu nome. Eu menti. Eu fingi. Os meus dias foram escuros e minhas noites foram claras. Eu pertencia somente a saudade durante a noite. Os meus dias andavam de camelo. E foi assim por minutos, por dias, por meses. Eu guardei cada segredo que me contou, e os guardo até hoje. Quando te ouvia dizer sobre as suas garotas, as suas futilidades, as suas encrencas e os seus erros era como um híbrido de felicidade e tristeza. Felicidade por contar comigo e tristeza por ver como você caía. Porém, quando já não estávamos mais juntos, quando você não estava mais lá, a tristeza me corroía. Porque sem a sua voz pra acalmar o meu coração, tudo o que eu pensava era que não era de mim que você falava.
No meio de tantos segredos, um dia um deles me sugou, me desestabilizou. Você havia ido longe demais, você estava prestes a acabar com a sua vida e a sua voz já não era capaz de me acalmar. Eu desmoronei. Eu me acorrentei ao chão para que não pudesse ir mais longe. Eu não podia ouvir isso e sorrir como antes fazia. Eu tinha que acabar com isso. Eu não podia colaborar para a sua queda. Então, foi nesse momento que tudo ficou claro. Não foi eu, foi você. A culpa não era toda minha de nada. A culpa era sua. Você me fez mal tantas vezes e tudo o que eu fiz foi procurar algo para acalmar a minha dor. Eu me prendi a você. E você não se importava. Eu fiz o que eu podia fazer, eu tentei ao máximo não te perder, mas, eu já tinha te perdido. Você ignorou, aliás, não tinha mais nada que você pudesse fazer, já que não me amava mais. Eu vi. Você não me amava, eu me enganei. Eu sempre soube, mas, pensei que pudesse restar em você alguma migalha "do que a gente viveu".
Eu vi que não vivemos nada, eu vivi. Eu vivi e você não. Estava tudo errado. Não existia nós fazia tempos, o que era na verdade era você e você em mim. Você precisou de mim e eu estava. Você não precisou de mim e eu estava. Eu precisei de você e você estava longe. Eu só precisei de você e era só você que não estava. Que injusto. Então, dessa vez eu não estive. Eu conheço o seu sorriso, conheço o seu olhar. E eles sempre me disseram que não me amava. Eu nunca acreditei neles. Até que ficou claro demais. Em resumo: eu te amei. Eu me iludi. Acreditei que tudo tinha sido bom e que fosse digno de se lembrar, mas, nada estava bom. Você não foi o melhor, foi o pior. Você tirou de mim o que de melhor eu tinha. A minha confiança, a minha coragem de arriscar. Você não foi bom pra mim. Eu me enganei. Desde o início eu me enganei. Eu tive medo de perder, mas, eu nunca te tive.
Agora pode parecer contraditório, mas, peço-te que não vá embora, não permita que eu sinta falta de sua presença. Fique, mas, arranque de mim as suas migalhas. Leve o teu vulto que me perturba. Eu já não preciso de você, mas, desejo que esteja por perto. Gosto muito de tudo em você, mas, já não desejo pra mim. Quero seu ombro, não mais a sua boca. Eu não quero levar comigo os restos seus. Peço que os carregue pra longe, eu já os lancei ao mar, mas, eles insistem em voltar. Ordene para que eles estacionem em uma ilha deserta, não permita que ninguém mais os toque, não permita que invadam a minha memória. Me libertei de ti, só resta libertar-me das lembranças. Aí estarei pronta. Estarei curada. Sem feridas e sem memória. Se é isso que desejas, o faça. É esse meu último pedido, meu último grito. Último.

Adeus.


"Oh, pedaço de mim. Oh, metade amputada de mim, leva o que há de ti que a saudade dói latejada é assim como uma fisgada no membro que já perdi." 

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Marmitas, recreios e segredos.


Não irei gastar minhas palavras para descrever um sentimento que não deve ser descrito e sim sentido. Nossa amizade ultrapassou os limites de uma simples amizade de colégio e se tornou o que é hoje. Ela não mudou e acredito que saiba do que eu estou falando. Nós construímos algo que poucas pessoas são capazes. Direi a você a única frase que pode resumir todas as minhas palavras: Eu te amo.
Que outra coisa eu poderia dizer com tanta sinceridade? Quero deixar claro que não quero que nossa amizade se limite a palavras apenas, já que elas não são o suficiente. Quero demonstrar cada "Eu te amo" já dito, por meio das minhas atitudes. E por isso, espero que lembre-se que é por isso que estou aqui. Lembre-se de contar comigo, como já fez outras vez, para que eu tenha a oportunidade de lhe mostrar o significado desta frase. Acredito que só eu e você entendamos o quão intenso é o que nós construímos, já que ainda há pessoas que duvidam disso. Ah, que se danem. Eu te amo, melhor amiga. E enquanto minhas palavras forem válidas, eu repetirei isso. Inevitavelmente, é diferente agora do que era há um ano atrás quando ainda estávamos juntas todos os dias, mas, costumo dizer que "nada mudou" porque é assim que me sinto, pois, sempre quando a distância se mete no meio de dois amigos, uma hipótese que devemos considerar é que eles irão se separar mesmo que digam que não, mas, não foi isso que aconteceu. Porque ainda temos: Assunto, segredos e histórias. Sempre que possível temos: Abraços, sorrisos e risadas. Tudo como antes. 
Porém, há uma coisa. Uma coisa que mudou nesse período foi que a minha admiração por você cresceu, por quem você é. O meu amor por você cresceu também, disso eu não duvido. Minha vontade de contar momentos e histórias. Descobri que podemos aprender muito juntas. 
Gosto muito de como somos parecidas e diferentes, de um jeito equilibrado. De como podemos ficar sem discutir, sem brigar. Uma sempre respeitando a opinião da outra. De como minhas futilidades se tornam assuntos interessantes. Ah. Não quero ficar listando aqui. Eu iniciei este post, simplesmente para tentar esclarecer algo que é indescritível. 
Depois de tudo já dito aqui, que ainda expressa pouco, acho que tenho que agradecer. Agradecer por você permitir que eu confie em você, que eu sinta que posso compartilhar aflições e futilidades. Muitas futilidades. Agradecer por me aguentar por dias, por horas, por ano. Por ter estado comigo mesmo podendo estar com muitas outras pessoas, por todos os recreios, conversas de msn, idas a minha escola e vice-versa. Por de um jeito simples, me fazer muito bem. Ainda irá fazer 2 anos que a vida nos apresentou, 2 anos que se parecem décadas, que aliás já estão próximos se se completar, mas, já tenho a total certeza de que desejo poder partilhar com você muitos momentos ainda.
Amiga, ah, como gosto de usar esta palavra. Obrigada. Obrigada por seu apoio, é sério. Obrigada por me ensinar tantas coisas, por me mostrar a sua visão do mundo e deixar que eu conheça os seus sonhos e permitir que eu torça por eles. Há tantas coisas que ainda podemos viver, né? Tantas já planejadas e outras tantas não planejadas, espero estar com você para vê-las. Creio que já te conheço bem, mesmo ainda tendo muito a conhecer, conheço a Jéssica que tem vontade de ser um monte de coisas no futuro. Que ama mesmo e não disfarça. Que é simpática com muitos e tem um instinto meio revolucionário. Que admira Chico Buarque e Forfun. Gosta de mpb e ri com a mão na boca. Que tenta não se importar com o que os outros irão falar, que sabe escrever muito bem, mesmo que não assuma. Que admira pessoas com história de vida. Que tem um abraço muito confortante. Flamenguista. Que conhece muita gente e sabe diferenciar grandes amizades de amizades temporárias (mesmo que eles não saibam.). Tem uma alma de artista, eu sei. Que, com toda a minha certeza, faz diferença na vida de muitas pessoas. E que é diferente, diferente do comum. Tem milhões de defeitos e milhões de qualidades.
Enfim, escrevo lhe essa carta para mostrá-la o que o meu coração carrega por você. Tenha certeza que não é só isso, ainda há muito mais a dizer, mas, devo guardar para outros momentos. Para que não se esqueça que eu te amo, mesmo que venham muitos amigos e podem vir muitos. Mesmo que não tenhamos fotos bonitas juntas, nem nos vejamos sempre, peço-te que não se esqueça disso. E lembrar-te o quanto nossa amizade é distinta e que eu sei que iremos tratar dela com cuidado, para que cresça muito.
Escritora, amiga e companheira. E é a melhor nisso.
P.s: Eu te amarei até o fim.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O não-sentir.


Uma coisa é certa: Pior do que a própria dor é a angústia de não sentir nada. Nada é uma palavra muito profunda, muito impossível, que nesse caso deveria soar como "nada do que deveria" ou "tão pouco que me é desprezível". Quando se percebe que o que sente não é suficiente, que seu coração deveria se libertar mais um pouco, afundar mais um pouco no desconhecido? Isso acontece quando vemos nos olhos dos outros um brilho que não há no seu, que tinha o dever de estar! Ele tinha. Quando sentimos que aquilo já não importa mais, que você já não liga... Não consegue nem ao menos sentir ódio por isso. Ódio pelo seu coração não responder como deveria, pelas suas mãos não gelarem como deveriam, pelos seus pés e pela sua barriga não agir como é de praxe, enfim, pelo seu corpo inteiro não vibrar por nenhum sentimento. Por ele apenas permanecer vazio e sem sabor. Não estou me referindo apenas ao amor - que com certeza é quase se não o principal sentimento a quem me refiro - estou falando também de sentimentos base, como: raiva, preocupação. A falta-de-raiva é notada quando acontece algo que você sabe que deveria matar alguém, bater em alguém ou falar algo, mas, você não o faz. Não por medo ou covardia. Simplesmente porque você já não vê como necessário, você não liga mais, não se preocupa mais... Mesmo sabendo que era necessário essa sua raiva pra mudar algo, mas, isso não acontece. Porque você simplesmente não consegue. No caso da falta-de-amor, é bem simples. É quando alguém consegue te amar, consegue querer você por perto e você não deseja o mesmo. É a melhor pessoa do mundo e ela está nas suas mãos e você não a quer. Não por um ou outro motivo e sim porque você só não consegue querer. Só isso. É quando você vê aquele seu amigo indo pra um lado errado ou apenas se afastando de você e não faz nada. Porque você já tentou tantas vezes e não conseguiu, não é? E agora já não importa tanto, já não faz diferença. Desistir das coisas não é o melhor, nunca. Mas não consegue. Seu corpo já não sente forças pra seguir lutando e então sem ao menos esperar uma decisão sua... ele desiste. Ele para. Ele deixa de sentir, só pra que essa escolha de querer ou não, não fique mais nas suas mãos.
Junto com isso vem aquela angústia. Aquela de saber que a culpa é toda sua, de não entender o porque disso. Porque você sabe que as chances daquilo dar certo ou mudar dependiam de você. Mas, não dá pra fingir algo que não é. Só piora as coisas, só piora tudo. É horrível fechar os olhos e conseguir pensar horas do dia sobre isso, que é quando você fica se perguntando porque isso não acontece. Dói. Dói mais do que a própria dor, porque tem futuro e outras pessoas envolvidas. Acredite se quiser, mas, eu sou uma pessoa que me preocupo demais com o futuro e com outras pessoas. Sentir dor diretamente é bem mais fácil, porque você sabe o porque, sabe o por quem e sabe que isso vai passar. A dor é só sua, só quem sente é você e pode ser feito várias coisas para mudar isso. A sua dor não atrapalha a vida dos outros, não magoa os outros. Ela só atrapalha a sua e só machuca você - diretamente -. E quando o problema é contigo é bem mais fácil esconde-lo ou cura-lo mesmo que momentaneamente, porque só você sabe como fazer isso. Mexer com a vida dos outros é bem mais complicado. Sentir dor, sentir-se machucado ou magoado por outra pessoa é como estar dentro de um carro sozinho e você não tem o controle, quem dirige é o que sente, mas, só você está dentro do veículo e se algo acontecer, só irá acontecer com você e não tem culpa. Já quando o não-sentir acontece, você está em um carro onde a pessoa que será influenciada pela sua falta de sentimentos estará nele também e quem dirige é você, a culpa será toda sua se algo acontecer. Aquela angustia e culpa fica com você, não tem o que fazer. Acaba o machucando porque não pode não fazer isso, mas a culpa é o que consome tudo.
Na verdade, tudo isso é um paradoxo. Porque não-sentir envolve sentir outras coisas. Não sentir o necessário, acho que esse seria o nome. Enfim... Quando isso acabar, saberemos se foi melhor assim. Ou não.